quarta-feira, 28 de abril de 2010

DIA DA MÃE

Como se aproxima o “Dia da Mãe”, que em Portugal se festeja no primeiro domingo de Maio, ou seja, no próximo domingo, partilho convosco um texto que acho delicioso, e que é a homenagem deste blog a todas as Mães.
Na sexta feira publicarei um poema, também de homenagem às Mães, no meu blog “Lírios”.
E no domingo será a vez do blog-mãe “Casa da Mariquinhas” homenagear todas as Mães, de Portugal e não só.

E agora um pequenino conto:

PEQUENOS ANJOS

Era uma vez uma criança pronta para nascer...


- Meu Deus, é verdade o que me dizem? Que amanhã Tu me enviarás para a terra? Mas como vou poder viver lá? Sou tão pequeno e indefeso…


Deus respondeu:

- Dentre todos os anjos, escolhi um especialmente para ti. Ele te atenderá e vai tomar conta de ti.

- Mas... - disse a criança. Aqui no Paraíso eu não faço outra coisa a não ser cantar e sorrir... Tenho necessidade disto para ser feliz...

Deus disse:
- A cada dia, o teu Anjo cantará para ti. Sentirás o seu amor e serás feliz, criança...

A criança continuou...
- Como poderei compreender o que me dizem se não conheço a lingua deles?
- É fácil, respondeu Deus, o teu Anjo te dirá as mais doces, as mais maravilhosas palavras... E com muita paciência e delicadeza, o teu Anjo te ensinará a falar...

A criança olhou para Deus e disse:
- E como vou fazer quando quiser falar Contigo?

Deus sorriu para a criança dizendo-lhe:
- O teu Anjo te mostrará como juntar as mãos e te ensinará a rezar.

A criança insistiu:
- Ouvi dizer que na Terra existem homens maus… Quem me protegerá?

Com muita ternura, Deus respondeu:
-O teu Anjo te defenderá ainda que seja com risco da sua própria vida!

A criança ficou triste e disse:
- Mas eu serei sempre infeliz por não Te ver mais...

Deus abraçou a criança, dizendo -lhe
-O teu Anjo te falará de mim e te ensinará o caminho para voltares a mim, mas estarei sempre ao teu lado.

Reinou no céu, nesse momento, uma grande Paz. Vozes se ouviram
vindas da Terra...

Sentindo o tempo esgotando-se, a criança perguntou:
- Oh! Meu Deus, estou pronto para partir, mas por favor diz-me o nome do meu Anjo!!!
Deus respondeu:

- O nome do teu Anjo não tem importância, minha criança. Tu o chamarás simplesmente...
MAMÃ!

Mike Sharobim

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A LENDA DAS AMENDOEIRAS

Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos mouros, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.
Era uma pessoa encantadora, a quem todos chamavam a "Bela do Norte". Por isso não admira que o rei, de tez acobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.
Apesar das festas que houve à data do casamento, uma tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do marido faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a "Bela do Norte" tinha saudades da sua terra.
O rei conseguiu, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.
O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:
- Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!
Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

- Vede - disse-lhe o rei sorrindo - como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!
A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente desapareceu, e Gilda sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que a adorava. E, todos os anos, no início da Primavera, ela via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe lembravam os campos cobertos de neve, como na sua terra.
É por isso - dizem - que, no Algarve, abundam as amendoeiras.