quarta-feira, 23 de junho de 2010

A PAPISA JOANA



A Papisa Joana é uma das mais controversas figuras da Idade Média, permanecendo até hoje envolta em contornos brumosos e enigmáticos.
Ao longo dos séculos muitos negaram a sua existência; contudo é considerável o número de documentos que atestam a sua passagem pelo trono papal.
Histórica ou lendária, Joana conseguiu a proeza de ocupar um lugar no seio da igreja ao qual apenas os homens tinham (e têm) acesso.
Em plena “Idade das Trevas”, às mulheres nenhum direito assistia, e a sua educação era proibida porque, no dizer dos homens desses tempos, as mulheres eram incapazes de raciocinar.
Foi neste cenário que, no inverno do ano 814, em Engelheim, Mainz, Alemanha, nasceu Joana.
Filha de um cónego inglês em breve deu mostras de uma inteligência privilegiada. Aprendeu a ler e a escrever muito cedo, ensinada, às escondidas, pelo seu irmão Mateus, rapaz muito inteligente, que morreu ainda criança, e que era ensinado por um tutor. Este, depois da morte do menino, ficando a ensinar o outro irmão, João, apercebeu-se de que Joana sabia ler e escrever, tendo-lhe esta confessado que fora Mateus que a ensinara. Com o auxílio do tutor, em breve Joana dominava o latim e o grego.
Mas o tutor foi transferido e, com grande desgosto, Joana viu-se de novo a estudar sozinha. À partida o tutor prometeu-lhe não a esquecer, e fazer o possível para ela poder continuar os seus estudos.
De facto, alguns meses depois, o pai recebeu uma carta do bispo, ordenando-lhe que enviasse a menina ao seu palácio.
Contrariado, o pai obedeceu ao seu superior.

Chegada ao palácio episcopal Joana é submetida a um exame, já que a escola era frequentada apenas por rapazes. O reitor mostra toda a sua antipatia e discordância com a ideia dela frequentar a escola; mas, perante as provas de sabedoria dadas por Joana, e especialmente pela insistência do bispo, o reitor é obrigado a aceitá-la.
Surge o problema do alojamento, já que Joana não poderia ficar instalada junto aos rapazes. Um cavaleiro ruivo, o Conde Geraldo, que se mantivera sempre junto ao bispo, e observara Joana com a maior atenção, ofereceu-se para alojar a criança em sua casa. De dia viria frequentar a escola.
Joana revelou-se o que todos consideravam um fenómeno. Mas a sua vida não foi fácil. Os rapazes humilhavam-na, chegando a exercer sobre ela violência física, e chamando-lhe “aberração”.
Alguns anos depois de frequentar a escola, Joana sentiu que nada mais poderia aprender ali.
Senhora dum talento extraordinário, e com uma insaciável sede de saber, só nos mosteiros poderia aprofundar os seus estudos.
Conseguindo fugir, de noite, da casa do “cavaleiro ruivo” onde continuava hospedada, assumiu uma identidade masculina e ingressou no Mosteiro de Fulda com o nome de João Anglicus.
Ali, com uma biblioteca à sua disposição, aprofundou-se nos estudos religiosos e clássicos, além de interessar-se, também, pelas Ciências.
Com o seu intelecto prodigioso, tornou-se extremamente culta. Era uma erudita.
O monge médico, tendo simpatizado com o jovem monge, começou a transmitir-lhe os seus conhecimentos de medicina que, considerando os poucos meios de que se dispunha naqueles tempos, podiam considerar-se bastante grandes. Joana aprendia rapidamente, ávida que estava de saber. Dentro de alguns anos os seus conhecimentos de medicina excediam os do próprio mestre.
Foi devido a estes seus conhecimentos pouco vulgares que foi chamada a Roma, a fim de tratar da saúde do Papa Leão IV, que se encontrava bastante doente.
Ali, com a sua sabedoria, ganhou prestígio e respeito entre os ilustres dignitários da Igreja. Foi nomeada Secretário da Cúria e, em seguida, Cardeal.
Em 855, com a morte do Papa Leão IV, foi aclamada Papa, com o nome de João VIII.
O seu pontificado distinguiu-se pela justiça e defesa dos mais humildes, sendo um Papa discreto e que quase não aparecia em público.
Certo dia, durante uma procissão solene, com toda a pompa e circunstância, montada num cavalo e à frente do cortejo, como era o costume da época, Joana sentiu-se mal e dores violentas fizeram-na cair do cavalo.
Ali, entre dores, sangue e lágrimas, deu à luz uma criança.



Alguns cardeais, atordoados, ajoelharam-se, exclamando:
- Milagre! Milagre! (***)

A partir daí os relatos divergem. Segundo alguns, a multidão reagiu com indignação, apedrejando Joana e a criança até à morte. Para outros foram encerradas no castelo papal, até ao fim dos seus dias. Outra versão seria que ela e a criança morreram de complicações do parto.

Verdade ou lenda?

Para muitos a história da Papisa é pura lenda, e o argumento principal é a falta de registos sobre ela em documentos da época.
Mas, se considerarmos o poder da Igreja naqueles tempos, e que os historiadores eram prelados, é fácil compreender a falta de registos sobre a Papisa, uma vez que fortes razões sempre imperaram no Vaticano para que se omitisse a ascensão de uma mulher ao trono de São Pedro.
Assim, desconsideraram o seu papado de dois anos e alguns meses e fizeram suceder a Leão IV o Papa Bento III, nomeando ainda, em 872, outro Para com o mesmo nome que havia sido adoptado pela Papisa, João VIII.
Alguns factos, entre inúmeros outros, no entanto, dão força à história da Papisa:
- Em 1276, o Papa João XX, após rigorosa investigação, mudou o seu nome para João XXI, reconhecendo, assim, o papado de Joana;
- Existiu também, até 1601, entre os diversos bustos papais de terracota, na Catedral de Siena, um da Papisa. Por determinação do Papa Clemente VIII, desapareceu, nesse ano de 1601.
- Outro facto importante foi a existência de uma cadeira com um buraco no assento, que foi usada nas cerimónias da consagração papal, exactamente a partir do ano 857, data da morte da Papisa, até ao século XIX.



O recém-eleito era ali sentado e procedia-se a um exame palpável para se determinar se era, de facto, do sexo masculino. Só então o camerlengo anunciava as palavras esperadas:
- Habemus Papam!
Essa cadeira ainda existe em Roma, não podendo a Igreja negar a sua existência.

A Papisa foi imortalizada, no século XI, numa das cartas do Tarot de Marselha, representando a sabedoria, o conhecimento, a intuição e a chave dos grandes mistérios.
A história foi também contada num filme, em 1972, com os actores Franco Nero, Liv Ulman e Olívia de Havilland , entre outros.

(***) – A explicação para este milagre está no facto de Joana e o “cavaleiro ruivo”, conde Geraldo, se terem apaixonado enquanto ela vivia na sua mansão.
O facto de ele ser casado impediu que os dois apaixonados se casassem. Viveram apenas um amor platónico.
Quando Joana fugiu o conde Geraldo, logo que se aperceber do seu desaparecimento, não cessou de a procurar, vindo a descobri-la, bastantes anos mais tarde, já em Roma.
Deram então largas ao forte sentimento que os unia, passando a encontrar-se às escondidas, e consumando, finalmente, o seu Amor.
O bebé que a Papisa Joana deu à Luz era, portanto, filho do conde Geraldo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A TECNOLOGIA MINEIRA DO ABRAÇO



Recebido por email dum querido amigo brasileiro, “mineirim”…lá das Minas Gerais…

(autor desconhecido)

O matuto falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia...

“É ... das invenção dos hómi, a que mais tem sintido é o abraço.”
O abraço num tem jeito dum só apruveitá!
Tudo quanto é gente, no abraço, participa duma beradinha...

Quandu ocê ta danado de sordade, o abraço de arguém ti alivia...
Quandu ocê ta danado de reiva, vem um, te abraça e ocê fica até sem graça de continuá cum reiva...

Si ocê ta filiz e abraça arguém, esse arguém pega um poquim de sua alegria...
Si arguém ta duente, quandu ocê abraça ele, ele começa a miorá, i ocê miora junto tamém...

Muita gente importante e letrado já tentô dá um jeito de sabê pruquê quié qui o abraço tem tanta tequilonogia, mas ninguém inda discubriu...
Mas, iêu sei...
Foi o isprito santo de Deus qui mi contô...

Iêu vô contá proceis uqui foi qui ele mi falô:

O abraço é bão prucausa do Coração...
Quandu ocê abraça arguém, fais massage no coração!...
I o coração do ôtro é massagiado tamém!

Mas num é só isso, não...
Aqui tá a chave do maior segredo de tudo:

É qui, quandu abraçamo arguém, nóis fiquemo tudo é com dois coração no peito…”

E eu, Mariazita, prigunto:
INTÃO, MI DÁ UM ABRAÇO ?

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