quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LENDA DE ITAGUAÇÚ

Há muito tempo atrás, antes dos deuses nascerem, lá onde hoje é a praia de Itaguaçú, existia um lindo gramado onde pessoas, bichos e elementos se reuniam para fazer festas, piqueniques, ou simplesmente passear.
Nesse tempo o Gigante ainda não estava adormecido, mas já era o protector da ilha e de todas as pessoas que ali se divertiam.
Um dia foi organizada uma grande festa naquele local, para a qual foram convidadas as pessoas, os bichos e os elementos das matas, das águas e do fogo.
Havia sereias, lobisomens, duendes, silfos, salamandras, vampiros, homens, mulheres, tartarugas, ursos, elefantes marinhos, focas, etc.…
Todos vinham pelo caminho sagrado, chamado de “Caminho das Furnas”, que existia entre o Abraço e o Itaguaçu, passando pelo Bom Abrigo, lá onde o velho sábio fica sentado vendo todo o mundo passar.

Em Itaguaçú, lá no centro do gramado, existia uma grande mesa onde eram colocadas as frutas, verduras, ambrósia, mel, doces…que eram ali servidos para quem estivesse no local.

Tudo isso era preparado e transportado por pessoas especiais ( mulheres grávidas ou jovens virgens) para não macular os alimentos que eram servidos.

Trazia-se em balaios ou em peneiras de taquaras (ripa ou lasca de bambu) e cipós extraídos da mata na primeira lua cheia do verão, e tecido antes que a boca da noite findasse, e eram carregados sobre as suas cabeças para energizar os alimentos.
Mas para esta grande festa, o Tibinga, vulgo Coisa Ruim, Diabo, Demónio, etc., não foi convidado, o que o deixou muito furioso.
Assim que começaram os preparativos para esta grande festa, o Gigante sentou-se ao pé do Cambirela para apreciar o movimento.
Via-se uma mulher grávida trazendo um balaio na cabeça com frutas madurinhas e deliciosas.
Mais adiante via-se um casal de jovens, um indo outro vindo da mesa, onde depositavam as frutas e doces. A rapariga vinha com um balaio sobre a cabeça e o jovem, como já tinha deixado os doces, trazia a sua peneira emborcada sobre a cabeça.

Do seu posto o Gigante viu e riu muito, pois lá no meio do caminha o elefante marinho e as tartarugas erraram o caminho e deram de cara com uma coruja que dali observava tudo.
Acompanhou também os passinhos lentos e curtos do ursinho que tentava chegar à festa e se espantou com o carinho das morsas.
Depois disso resolveu tirar um cochilo e foi deitar-se.
Junto à mesa um negro tocava um orocongo e ao longe ouvia-se o som de uma rabeca.
Aquela música foi como uma canção de embalar para o Gigante, que adormeceu recostado nas montanhas.

Como o Tibinga tinha ficado fula da vida por não ter sido convidado para esta grande festa, e, sabendo que o gigante protetor da ilha dormia, transformou tudo e todos em pedra.

Ao despertar, o Gigante olhou para o gramado e espantou-se ao ver que tudo ali se tinha transformado em pedra; não viu mais os seus amigos: tudo se tinha transformado.
Olhou as tartarugas, o leão marinho e a coruja, totalmente petrificados.
Lá no meio do caminho o pobre ursinho também era pedra; as morsas, que já estavam quase lá, também ficaram petrificadas; a mulher a as crianças também.
- Meu Deus, até o velho sábio? – exclamou o Gigante, tristonho. Tudo e todos viraram pedras, e nunca mais os verei aqui no gramado, não haverá mais alegria neste lugar, e nunca mais falarei com os meus amigos.
O Gigante ficou muito triste, sentou-se ao pé do morro e chorou; chorou muito; chorou tanto que as suas lágrimas encheram toda a região e transformaram tudo em mar.
O Gigante ficou tão triste e desiludido que se deitou para nunca mais se levantar.
E quem olhar para os lados do Cambirela ainda verá o nosso amigo Gigante dormindo.
Para nós ficou a esperança de termos de volta o lindo gramado e também o sorriso alegre do Gigante, que, mesmo adormecido por entre os morros, ainda espalha a sua protecção sobre a ilha e os seus moradores.
E dizem que em noite de lua cheia ainda se ouve o gemido das pedras clamando para voltar à vida.

Baseado na lenda da praia de Itaguaçú.

Itaguaçu é um bairro da cidade brasileira de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina. Está situado na porção continental do município, ao sul, entre os bairros de Coqueiros e Bom Abrigo e a Baía Sul. O nome Itaguaçu é de origem tupi e quer dizer literalmente "Viveiro de Pedras Grandes" ou "Lugar onde há Pedras Grandes". Estas pedras constituem interessantes formações de granito à beira da praia de Itaguaçu e em meio ao mar da Baía Sul, havendo mesmo uma lenda que conta de bruxas que teriam sido petrificadas, dando origem às pedras, uma das quais parece ter um chapéu, e também há um conjunto de 6 pedras que formam um tipo de um círculo com uma sétima pedra no meio (alusão a ritual satânico)…
Existem pequenas praias urbanizadas nas quais alguns bares e restaurantes são especialmente agradáveis pela vista que se descortina, o que faz com que haja um bom movimento. Na praia há um deck de madeira. Infelizmente a balneabilidade destas praias não é recomendável devido à poluição, pois, embora haja rede de esgotos na região, ela não atende a contento, havendo muitas ligações clandestinas às galerias de águas pluviais.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A LENDA DE SHERAZADE E AS MIL E UMA NOITES

Shariman era um poderoso Sultão que reinava em absoluto no Oriente. Possuía um belo palácio em Bagdá e seu irmão chamado Shazaman dominava a China.

Um dia, Shazaman enviou um mensageiro a Bagdá convidando Shariman para uma visita. Shariman, que gostava de viajar e estava com saudades do irmão, prontamente aceitou.

Estava ele no meio do caminho, quando se lembrou de que deixara no palácio o presente que daria ao seu irmão.
Retornou inesperadamente ao palácio e pôde ver um dos súbditos entrando no quarto de sua esposa.
Enfurecido, Shariman apanhou a espada, e, rasgando o véu que guardava a entrada do quarto dela, surpreendeu os dois abraçados. Ordenou aos guardas que levassem o traidor para a prisão e expulsou a rainha de Bagdá para sempre.

Shariman decidiu que nunca mais confiaria em mulher alguma.
Para evitar traições, ele se casaria com uma jovem a cada noite. No dia seguinte, ao nascer do sol, ela iria embora do reino e não poderia mais voltar.
Shariman encarregava o nobre Mustafá, seu Vizir, de escolher suas esposas.
Várias jovens foram levadas; as famílias não podiam negar nada ao Sultão. Muitas porém fugiam, para escapar ao cruel destino. Chegou um dia que Mustafá não encontrou donzela para casar com o Sultão e voltou preocupado para casa.

O Vizir tinha duas lindas filhas: Sherazade e Denizade. Sherazade, a mais velha, além de bela, era instruída nas artes e nas ciências. Havia lido muitos livros e todas as tardes visitava a praça dos contadores de histórias: um lugar onde várias pessoas se encontravam para contarem as suas aventuras e descobertas.

Vendo seu pai infeliz perguntou o motivo de tanta tristeza. Quando o Vizir
Lhe contou o que se passava, Sherazade disse:
- Pai, leve-me ao Sultão; serei sua esposa e terminarei com essa tragédia.

No dia seguinte Sherazade e seu pai foram ao encontro de Shariman. O sultão ficou admirado de sua beleza e casou-se com ela.

Quando chegou o momento esperado Sherazade olhou para o Sultão e disse:
- Deixe-me alegrar seu coração, meu senhor! Permite que lhe conte uma história?
Curioso, Shariman aceitou.
Sherazade, com sua voz melodiosa, começou a contar histórias de aventuras de reis, de viagens fantásticas, de heróis e de mistérios. Contava uma história após a outra, deixando o Sultão maravilhado.

Sem que Shariman percebesse, as horas passaram e o sol nasceu. Sherazade interrompeu uma história na melhor parte e disse:
- Já é de manhã, meu senhor!
O sultão, interessado na história, deixou Sherazade no palácio para mais
uma noite.

E assim Sherazade fez o mesmo naquela noite; contou-lhe mais histórias e deixou a última por terminar. Sempre alegre, ora contava um drama, ora contava uma aventura, às vezes um enigma, outras vezes uma história real.

Procurava sempre a tenda dos contadores em busca de histórias para nunca repetir nenhuma. Todas as noites Sherazade tinha uma história nova para contar ao Sultão. Ela agiu dessa maneira por mil e uma noites seguidas.

A jovem teve tanta dedicação e foi tão carinhosa, que acabou conquistando o coração do Sultão. Na milésima Segunda noite Shariman declarou:
- Não saberia viver sem suas histórias e seu amor, Sherazade.

Sherazade sorriu e abraçou seu esposo. Sherazade e Shariman foram felizes por muitos e muitos anos.

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