A PRÓXIMA POSTAGEM SERÁ NO DIA 16 DE DEZEMBRO
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quarta-feira, 21 de julho de 2010

PEQUENAS HISTÓRIAS ENTERNECEDORAS

Um dia, o autor e conferencista Leo Buscaglia contou que tinha sido convocado para participar, como jurado, num concurso que se destinava a escolher a “criança especial”.
Foram apuradas várias crianças, dentre as quais foi posteriormente eleita a vencedora.

Eis quatro pequenas histórias que ele contou:

Um menino de 4 anos tinha um vizinho idoso cuja esposa tinha falecido recentemente.
Ao vê-lo chorar, o menino foi para o quintal dele e sentou-se simplesmente no seu colo.

Quando a mãe lhe perguntou o que tinha dito ao velhinho, ele respondeu:

- Nada. Só o ajudei a chorar.

Os alunos da professora do primeiro ano, Debbie Moon, estavam a examinar uma foto de família.
Uma das crianças da foto tinha os cabelos de cor bem diferente dos outros.
Alguém sugeriu que essa criança deveria ter sido adoptada.
Logo uma menina disse:
- Sei tudo sobre adopção porque eu fui adoptada.
De imediato outro aluno perguntou:

- O que significa “ser adoptado”?
- Significa - disse a menina - que tu cresceste no coração da tua mãe, e não na barriga!

Sempre que estou decepcionado com meu lugar na vida, eu paro e penso no pequeno Jamie Scott.
Jamie queria muito ter um papel na peça da escola. A mãe disse que tinha procurado preparar o seu coração, pois ela temia que ele não fosse escolhido.

No dia em que os papéis foram distribuídos, eu fui com ela buscá-lo à escola. Jamie correu para a mãe, com os olhos brilhantes de orgulho e emoção:
- Adivinha, mãe!
E disse aquelas palavras, que continuariam a ser uma lição para mim:
- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria!

Conta uma testemunha ocular de Nova York:
Num frio dia de Dezembro, há alguns anos, um rapazinho de cerca de 10 anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos, olhando a montra e tremendo de frio.
Uma senhora aproximou-se do rapaz e disse:
- Porque estás a olhar para essa montra com um ar tão pensativo?
- Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos - respondeu o garoto.
A senhora segurou-lhe na mão, entrou na loja e pediu ao empregado para dar meia dúzia de pares de meias ao menino. Em seguida perguntou ao empregado se poderia arranjar-lhe uma bacia com água e uma toalha.
Amavelmente o empregado satisfez o seu pedido.
Ela levou o menino para a parte de trás da loja e, ajoelhando-se, lavou os pequenos pés e secou-os com a toalha.

Entretanto o empregado já tinha trazido as meias.

Ela calçou-as nos pés do garoto. Comprou-lhe também um par de sapatos, e calçou-lhos.

Depois entregou-lhe os outros pares de meias e carinhosamente, perguntou:

- Então? Agora já te sentes mais confortável…
Dizendo isto voltou-se para ir embora quando o menino lhe segurou na mão.
Olhando o seu rosto, com lágrimas nos olhos, perguntou:

- A senhora é a mulher de Deus?

Leo Buscaglia


Leo Buscaglia
31.03.1924 – 12.06.1998


Leo Buscaglia (Felice Leonardo Buscaglia) ítalo-americano foi professor na Universidade do Sul da Califórnia, USA.
Foi o escritor que mais se dedicou a escrever sobre o Amor, exaltando as ideias de se viver o momento, expressar o Amor que se sente por alguém, e não criar demasiadas expectativas.
Idealizou um curso sobre Amor na própria Universidade.
"Tanto quanto sei, somos a única escola no país, e talvez no mundo, que tem uma disciplina chamada "Amor, 1 A", e eu o único professor bastante louco a ponto de ensiná-la"''

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O SOM DO BÚZIO

Peço às minhas amigas e aos meus amigos que me permitam dedicar esta postagem à minha Amiga PÉROLA

Há tempos ela perguntava porque é que se ouve o som do mar encostando o ouvido a um búzio. Eu prometi explicar-lhe. Para o efeito escrevi este modesto conto, passado no reino da fantasia.
Espero que gostem.


Andava o belo mancebo passeando na praia, absorto nos seus pensamentos quando foi “despertado” por um som anormal vindo do mar.
Olhou na direcção donde vinha o estranho som, que lhe pareceu de barbatanas, anormalmente alto. Parou, estupefacto. O que viu encheu-o de assombro:
O tronco de uma mulher belíssima, batendo alegremente com as mãos sobre a água, ao mesmo tempo que enormes barbatanas, que pareciam ser a continuação do seu tronco, se moviam em lentos movimentos, fazendo um remoinho de espuma à sua volta.
Longos cabelos negros desciam-lhe pelas costas, formados por algas marinhas, e do pescoço, marmóreo, pendiam grandes colares de pérolas que lhe ocultavam os seios.
Notando a presença do jovem rapidamente mergulhou; mas, curiosa, apareceu novamente, desta vez mantendo as mãos quietas sobre as ondas, movendo as barbatanas muito lentamente.
O jovem não conseguia desviar o olhar nem dar um passo em qualquer direcção.
A sereia, pois que duma sereia se tratava, continuou a olhá-lo por alguns momentos; mas, notando que o jovem não saía do seu lugar, nadou rapidamente para um pequeno rochedo que se encontrava próximo do rebentar das ondas, subiu e sentou-se.
Levando aos lábios um búzio começou a entoar uma canção. Era um som mágico, atraente, hipnotizador.
O jovem, sem pensar, imediatamente correu na direcção do rochedo e, lançando-se ao mar, nadou a pequena distância que o separava do penedo. Apoiando as mãos na rocha, com um leve movimento ergueu-se, e de imediato se encontrou junto da sereia.

Perguntou-lhe, meigamente:
- Donde vieste? Eu venho aqui todos os dias, espairecer a minha tristeza, e nunca te vi…
- E qual o motivo dessa tua tristeza? – indagou a sereia, sem responder à pergunta.
- A família da minha amada mudou-se para as montanhas. Eu não posso estar separado da mulher que amo… mas assusta-me ir viver para lá. Nasci à beira mar e é aqui que me sinto feliz. Adoro o mar. Adormeço embalado pelo som das ondas a beijar a areia.
O que fazer? Eu quero, eu preciso, estar junto da minha amada, mas preciso também ouvir o mar…
- Não desesperes. Não sabes que para tudo há remédio na vida? Olha para mim. Eu sou filha dum deus marinho e duma bela mulher terrena. O meu coração está sempre dividido entre a terra e o mar. O meu problema é muito semelhante ao teu…
- E qual foi a solução que encontraste? – perguntou o jovem, uma leve esperança a despontar.
- Encontrei a solução possível. Vivo no fundo do mar, mas todos os dias procuro um rochedo onde me sento algumas horas, olhando a terra ao longe, sentindo o chamamento da minha Mãe que lá se encontra sepultada…
- E consegues ser feliz assim?
- Não há felicidade completa, apenas existem momentos felizes. É nosso dever, de todos os seres existentes no mundo real ou imaginário, construir muitos desses instantes.
- Eu já fui feliz muitas vezes. Quando tinha a minha amada junto a mim. Mas agora, com ela tão longe… assalta-me uma tristeza enorme, que só se atenua com estes passeios à beira mar…
Mas depois lembro-me que vou ter que me separar deste mar que adoro, e volto a ficar triste. E, à medida que se aproxima o dia da partida, sinto-me muito estranho, desejando partir e ficar ao mesmo tempo.
A sereia olhou-o longamente, com ar pensativo. Depois disse:
- Para isso eu não tenho remédio; só tu podes decidir se queres ir ou se queres ficar… Mas vou dar-te uma pequena ajuda.
Estás a ver este búzio?
- Sim, usaste-o para entoar aquela deliciosa melodia…
- Desde há longos anos que me acompanha, mas vou oferecer-to.

E fazendo um gesto largo com a mão sobre as ondas, como quem apanha algo, pousou a mão sobre a abertura do búzio. E falou assim:
- Acabei de encher o búzio com o som das ondas do mar.
Retirando uma pérola do pescoço, introduziu-a no búzio, acrescentando:
- Assim o som não pode sair, vai conservar-se lá dentro.
E, inclinando-se sobre o rosto do mancebo depositou em seus lábios um ardoroso beijo.

- Agora, sempre que encostares o búzio ao teu ouvido, ouvirás o som do mar e lembrar-te-ás de mim.
Mergulhou e rapidamente afastou-se do rochedo. O mancebo nadou a pequena distância que o separava de terra.

Caminha agora pela areia, conservando o búzio na mão. Lágrimas deslizam pelo seu rosto. Uma cai dentro da concha, indo juntar-se à pérola oferecida pela sereia, fazendo surgir entre eles, pérola e lágrima, um forte sentimento de Amor que perdura até aos dias de hoje.

A partir desse momento passaram a ouvir-se, encostando a concha ao ouvido, os seus lindos murmúrios de Amor, semelhando o marulhar das ondas do mar.

OBS - Texto de minha exclusiva autoria, fruto apenas da minha imaginação
Mariazita, Julho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A PAPISA JOANA



A Papisa Joana é uma das mais controversas figuras da Idade Média, permanecendo até hoje envolta em contornos brumosos e enigmáticos.
Ao longo dos séculos muitos negaram a sua existência; contudo é considerável o número de documentos que atestam a sua passagem pelo trono papal.
Histórica ou lendária, Joana conseguiu a proeza de ocupar um lugar no seio da igreja ao qual apenas os homens tinham (e têm) acesso.
Em plena “Idade das Trevas”, às mulheres nenhum direito assistia, e a sua educação era proibida porque, no dizer dos homens desses tempos, as mulheres eram incapazes de raciocinar.
Foi neste cenário que, no inverno do ano 814, em Engelheim, Mainz, Alemanha, nasceu Joana.
Filha de um cónego inglês em breve deu mostras de uma inteligência privilegiada. Aprendeu a ler e a escrever muito cedo, ensinada, às escondidas, pelo seu irmão Mateus, rapaz muito inteligente, que morreu ainda criança, e que era ensinado por um tutor. Este, depois da morte do menino, ficando a ensinar o outro irmão, João, apercebeu-se de que Joana sabia ler e escrever, tendo-lhe esta confessado que fora Mateus que a ensinara. Com o auxílio do tutor, em breve Joana dominava o latim e o grego.
Mas o tutor foi transferido e, com grande desgosto, Joana viu-se de novo a estudar sozinha. À partida o tutor prometeu-lhe não a esquecer, e fazer o possível para ela poder continuar os seus estudos.
De facto, alguns meses depois, o pai recebeu uma carta do bispo, ordenando-lhe que enviasse a menina ao seu palácio.
Contrariado, o pai obedeceu ao seu superior.

Chegada ao palácio episcopal Joana é submetida a um exame, já que a escola era frequentada apenas por rapazes. O reitor mostra toda a sua antipatia e discordância com a ideia dela frequentar a escola; mas, perante as provas de sabedoria dadas por Joana, e especialmente pela insistência do bispo, o reitor é obrigado a aceitá-la.
Surge o problema do alojamento, já que Joana não poderia ficar instalada junto aos rapazes. Um cavaleiro ruivo, o Conde Geraldo, que se mantivera sempre junto ao bispo, e observara Joana com a maior atenção, ofereceu-se para alojar a criança em sua casa. De dia viria frequentar a escola.
Joana revelou-se o que todos consideravam um fenómeno. Mas a sua vida não foi fácil. Os rapazes humilhavam-na, chegando a exercer sobre ela violência física, e chamando-lhe “aberração”.
Alguns anos depois de frequentar a escola, Joana sentiu que nada mais poderia aprender ali.
Senhora dum talento extraordinário, e com uma insaciável sede de saber, só nos mosteiros poderia aprofundar os seus estudos.
Conseguindo fugir, de noite, da casa do “cavaleiro ruivo” onde continuava hospedada, assumiu uma identidade masculina e ingressou no Mosteiro de Fulda com o nome de João Anglicus.
Ali, com uma biblioteca à sua disposição, aprofundou-se nos estudos religiosos e clássicos, além de interessar-se, também, pelas Ciências.
Com o seu intelecto prodigioso, tornou-se extremamente culta. Era uma erudita.
O monge médico, tendo simpatizado com o jovem monge, começou a transmitir-lhe os seus conhecimentos de medicina que, considerando os poucos meios de que se dispunha naqueles tempos, podiam considerar-se bastante grandes. Joana aprendia rapidamente, ávida que estava de saber. Dentro de alguns anos os seus conhecimentos de medicina excediam os do próprio mestre.
Foi devido a estes seus conhecimentos pouco vulgares que foi chamada a Roma, a fim de tratar da saúde do Papa Leão IV, que se encontrava bastante doente.
Ali, com a sua sabedoria, ganhou prestígio e respeito entre os ilustres dignitários da Igreja. Foi nomeada Secretário da Cúria e, em seguida, Cardeal.
Em 855, com a morte do Papa Leão IV, foi aclamada Papa, com o nome de João VIII.
O seu pontificado distinguiu-se pela justiça e defesa dos mais humildes, sendo um Papa discreto e que quase não aparecia em público.
Certo dia, durante uma procissão solene, com toda a pompa e circunstância, montada num cavalo e à frente do cortejo, como era o costume da época, Joana sentiu-se mal e dores violentas fizeram-na cair do cavalo.
Ali, entre dores, sangue e lágrimas, deu à luz uma criança.



Alguns cardeais, atordoados, ajoelharam-se, exclamando:
- Milagre! Milagre! (***)

A partir daí os relatos divergem. Segundo alguns, a multidão reagiu com indignação, apedrejando Joana e a criança até à morte. Para outros foram encerradas no castelo papal, até ao fim dos seus dias. Outra versão seria que ela e a criança morreram de complicações do parto.

Verdade ou lenda?

Para muitos a história da Papisa é pura lenda, e o argumento principal é a falta de registos sobre ela em documentos da época.
Mas, se considerarmos o poder da Igreja naqueles tempos, e que os historiadores eram prelados, é fácil compreender a falta de registos sobre a Papisa, uma vez que fortes razões sempre imperaram no Vaticano para que se omitisse a ascensão de uma mulher ao trono de São Pedro.
Assim, desconsideraram o seu papado de dois anos e alguns meses e fizeram suceder a Leão IV o Papa Bento III, nomeando ainda, em 872, outro Para com o mesmo nome que havia sido adoptado pela Papisa, João VIII.
Alguns factos, entre inúmeros outros, no entanto, dão força à história da Papisa:
- Em 1276, o Papa João XX, após rigorosa investigação, mudou o seu nome para João XXI, reconhecendo, assim, o papado de Joana;
- Existiu também, até 1601, entre os diversos bustos papais de terracota, na Catedral de Siena, um da Papisa. Por determinação do Papa Clemente VIII, desapareceu, nesse ano de 1601.
- Outro facto importante foi a existência de uma cadeira com um buraco no assento, que foi usada nas cerimónias da consagração papal, exactamente a partir do ano 857, data da morte da Papisa, até ao século XIX.



O recém-eleito era ali sentado e procedia-se a um exame palpável para se determinar se era, de facto, do sexo masculino. Só então o camerlengo anunciava as palavras esperadas:
- Habemus Papam!
Essa cadeira ainda existe em Roma, não podendo a Igreja negar a sua existência.

A Papisa foi imortalizada, no século XI, numa das cartas do Tarot de Marselha, representando a sabedoria, o conhecimento, a intuição e a chave dos grandes mistérios.
A história foi também contada num filme, em 1972, com os actores Franco Nero, Liv Ulman e Olívia de Havilland , entre outros.

(***) – A explicação para este milagre está no facto de Joana e o “cavaleiro ruivo”, conde Geraldo, se terem apaixonado enquanto ela vivia na sua mansão.
O facto de ele ser casado impediu que os dois apaixonados se casassem. Viveram apenas um amor platónico.
Quando Joana fugiu o conde Geraldo, logo que se aperceber do seu desaparecimento, não cessou de a procurar, vindo a descobri-la, bastantes anos mais tarde, já em Roma.
Deram então largas ao forte sentimento que os unia, passando a encontrar-se às escondidas, e consumando, finalmente, o seu Amor.
O bebé que a Papisa Joana deu à Luz era, portanto, filho do conde Geraldo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A TECNOLOGIA MINEIRA DO ABRAÇO



Recebido por email dum querido amigo brasileiro, “mineirim”…lá das Minas Gerais…

(autor desconhecido)

O matuto falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia...

“É ... das invenção dos hómi, a que mais tem sintido é o abraço.”
O abraço num tem jeito dum só apruveitá!
Tudo quanto é gente, no abraço, participa duma beradinha...

Quandu ocê ta danado de sordade, o abraço de arguém ti alivia...
Quandu ocê ta danado de reiva, vem um, te abraça e ocê fica até sem graça de continuá cum reiva...

Si ocê ta filiz e abraça arguém, esse arguém pega um poquim de sua alegria...
Si arguém ta duente, quandu ocê abraça ele, ele começa a miorá, i ocê miora junto tamém...

Muita gente importante e letrado já tentô dá um jeito de sabê pruquê quié qui o abraço tem tanta tequilonogia, mas ninguém inda discubriu...
Mas, iêu sei...
Foi o isprito santo de Deus qui mi contô...

Iêu vô contá proceis uqui foi qui ele mi falô:

O abraço é bão prucausa do Coração...
Quandu ocê abraça arguém, fais massage no coração!...
I o coração do ôtro é massagiado tamém!

Mas num é só isso, não...
Aqui tá a chave do maior segredo de tudo:

É qui, quandu abraçamo arguém, nóis fiquemo tudo é com dois coração no peito…”

E eu, Mariazita, prigunto:
INTÃO, MI DÁ UM ABRAÇO ?

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

A ILHA DOS SENTIMENTOS



Era uma vez, numa ilha distante...
Lá viviam todos os sentimentos e valores que haviam sido atribuídos ao Homem:
- O Bom Humor, a Tristeza, a Sabedoria... enfim, todos, inclusive o Amor.

Um dia o senhor da ilha apareceu de surpresa, e, na sua voz trovejante, anunciou:
- Os homens não têm sabido fazer uso correcto de todos os atributos que lhes concedi. Estou farto desta ilha e de tudo o que nela existe! Vou fazê-la desaparecer. Preparem-se! Amanhã tudo isto irá pelos ares!

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Todos começaram a preparar os seus barcos para partir quanto antes, e em breve estavam a afastar-se, ficando ao largo da ilha. No fundo tinham pena de a abandonar...
Somente o Amor, tendo a seu lado a Esperança, ficou aguardando até ao último momento, esperançado em que o senhor da ilha mudasse de ideias. Mas também a Esperança desesperou da espera e abandou o Amor.

Quando se apercebeu de que a ilha iria mesmo ser afundada o Amor decidiu pedir ajuda. Avistou, a pouca distância, num barco luxuosíssimo, a Riqueza. Dirigiu-se-lhe;
- Riqueza. Podes levar-me contigo?
- Não posso porque tenho muito ouro e prata dentro do barco e não há lugar para ti.
Resignado, o Amor olhou em volta e avistou o Orgulho. Fez-lhe o mesmo pedido:
- Orgulho, imploro-te, leva-me contigo...
- Não posso levar-te, Amor – respondeu o Orgulho. Aqui tudo é perfeito, e tu poderias arruinar o meu barco.
Então, já quase em desespero, o Amor viu a Tristeza aproximar-xe e resolveu pedir-lhe auxílio:
- Tristeza, peço-te, deixa-me ir contigo.
- Oh! Amor – respondeu ela – estou tão triste que não suporto qualquer coompanhia. Preciso muito de estar sozinha.
A seguir foi a vez de passar o Bom Humor; mas estava tão contente que o Amor nem se atreveu a dirigir-se-lhe, pois calculava, de antemão, que iria receber uma recusa. De resto, o mais certo seria nem o ouvir, tal o ruído que fazia...

De repente, o Amor ouviu uma voz que o chamava:
- Vem, Amor, eu levo-te comigo.
Era um velho quem o estava chamando.

O Amor ficou tão contente que imediatamente respondeu ao chamamneto. E, no meio de tanta alegria, esqueceu-se de perguntar o nome do velho.

Quando chegaram, e depois de depositar o Amor em terra firme, o velho foi-se embora.
Reparando, então, no seu esquecimento, e apercebendo-se de quanto lhe devia, o Amor avistou muito perto de si o Saber. E perguntou-lhe:
- Saber, podes dizer-me quam me ajudou? No meio de toda a minha alegria esqueci-me de lhe perguntar o nome...
- Foi o Tempo – respondeu o Saber.

-O Tempo? – interrogou-se o Amor. Porque será que o Tempo me ajudou?

Cheio de sabedoria, o Saber respondeu:
- Porque só o tempo é capaz de compreender o quanto o Amor é importante na vida, e por isso nunca pode ser abandonado.

Composto por Mariazita, inspirado num conto muito antigo.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

A FLOR DA HONESTIDADE

Conta-se que, por volta do ano 250, na China, um príncipe da região norte do País



estava às vésperas de ser coroado Imperador. Mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.
Sabendo disso, resolveu fazer um “jogo” entre as jovens da corte ou quem quer que se achasse digno da sua proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia todas as pretendentes numa celebração especial e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que a sua filha nutria um sentimento de profundo amor pelo jovem príncipe.

Ao chegar a casa, relatando o facto à filha, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração; e indagou, incrédula:
- Minha filha,o que farás tu lá ? Tira essa idéia insensata da cabeça. Sei que deves estar sofrendo, mas não tornes o sofrimento numa loucura.

A jovem respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo, e muito menos louca. Sei que jamais poderei ser a escolhida, mas será a minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do meu amado. Só isso já me torna feliz.

À noite a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais lindas roupas, as mais deslumbrantes jóias e as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:

- Darei a cada uma de vocês uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida para minha esposa e futura Imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a faculdade de “cultivar” algo.

O tempo passou, e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava da sua semente com muita paciência e ternura, pois sabia que, se a beleza da flor surgisse na proporção do seu amor, ela não precisaria preocupar-se com o resultado.
Passaram-se três meses e nada brotou.

A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas em vão. Por fim, os seis meses se passaram sem que nenhuma planta tivesse surgido.
Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, voltaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

Na hora marcada ela estava lá, com o seu vaso vazio, no meio de todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. A jovem estava admirada: nunca havia presenciado cena tão bela.

Finalmente, chegou o momento esperado, e o príncipe observou cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção.
Após passar por todas, uma a uma, ele anunciou o resultado e indicou a filha da velha senhora como sua futura esposa.



As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reacções. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado.

Então calmamente, o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma Imperatriz: a flor da honestidade. Pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

DIA DA MÃE

Como se aproxima o “Dia da Mãe”, que em Portugal se festeja no primeiro domingo de Maio, ou seja, no próximo domingo, partilho convosco um texto que acho delicioso, e que é a homenagem deste blog a todas as Mães.
Na sexta feira publicarei um poema, também de homenagem às Mães, no meu blog “Lírios”.
E no domingo será a vez do blog-mãe “Casa da Mariquinhas” homenagear todas as Mães, de Portugal e não só.

E agora um pequenino conto:

PEQUENOS ANJOS

Era uma vez uma criança pronta para nascer...


- Meu Deus, é verdade o que me dizem? Que amanhã Tu me enviarás para a terra? Mas como vou poder viver lá? Sou tão pequeno e indefeso…


Deus respondeu:

- Dentre todos os anjos, escolhi um especialmente para ti. Ele te atenderá e vai tomar conta de ti.

- Mas... - disse a criança. Aqui no Paraíso eu não faço outra coisa a não ser cantar e sorrir... Tenho necessidade disto para ser feliz...

Deus disse:
- A cada dia, o teu Anjo cantará para ti. Sentirás o seu amor e serás feliz, criança...

A criança continuou...
- Como poderei compreender o que me dizem se não conheço a lingua deles?
- É fácil, respondeu Deus, o teu Anjo te dirá as mais doces, as mais maravilhosas palavras... E com muita paciência e delicadeza, o teu Anjo te ensinará a falar...

A criança olhou para Deus e disse:
- E como vou fazer quando quiser falar Contigo?

Deus sorriu para a criança dizendo-lhe:
- O teu Anjo te mostrará como juntar as mãos e te ensinará a rezar.

A criança insistiu:
- Ouvi dizer que na Terra existem homens maus… Quem me protegerá?

Com muita ternura, Deus respondeu:
-O teu Anjo te defenderá ainda que seja com risco da sua própria vida!

A criança ficou triste e disse:
- Mas eu serei sempre infeliz por não Te ver mais...

Deus abraçou a criança, dizendo -lhe
-O teu Anjo te falará de mim e te ensinará o caminho para voltares a mim, mas estarei sempre ao teu lado.

Reinou no céu, nesse momento, uma grande Paz. Vozes se ouviram
vindas da Terra...

Sentindo o tempo esgotando-se, a criança perguntou:
- Oh! Meu Deus, estou pronto para partir, mas por favor diz-me o nome do meu Anjo!!!
Deus respondeu:

- O nome do teu Anjo não tem importância, minha criança. Tu o chamarás simplesmente...
MAMÃ!

Mike Sharobim

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A LENDA DAS AMENDOEIRAS

Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos mouros, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.
Era uma pessoa encantadora, a quem todos chamavam a "Bela do Norte". Por isso não admira que o rei, de tez acobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.
Apesar das festas que houve à data do casamento, uma tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do marido faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a "Bela do Norte" tinha saudades da sua terra.
O rei conseguiu, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.
O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:
- Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!
Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

- Vede - disse-lhe o rei sorrindo - como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!
A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente desapareceu, e Gilda sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que a adorava. E, todos os anos, no início da Primavera, ela via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe lembravam os campos cobertos de neve, como na sua terra.
É por isso - dizem - que, no Algarve, abundam as amendoeiras.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A LENDA DA SAMARITANA

Reza uma lenda encantada que uma mulher de grande formosura foi ao poço de Jacó…

Naquele tempo Jesus encontrava-se a braços com a missão de unir as tribos dispersas de Israel, começando por reunir os judeus com os samaritanos e galileus num reino messiânico único.
Para cumprir esse desígnio era-lhe necessário passar por Samaria; e assim chegou a uma cidade chamada Sicar, junto à herdade que Jacó dera a seu filho José.
Ali se encontrava um poço, conhecido pelo “poço de Jacó”.

Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto ao poço, era cerca de meio-dia, enquanto os seus discípulos iam à cidade comprar comida.
Alguns momentos depois, Jesus viu acercar-se uma mulher de Samaria, que vinha buscar água ao poço. Era lindíssima!
E Jesus disse-lhe:
- Dá-me de beber.
Respondeu-lhe a mulher samaritana, de seu nome Madalena:
- Como, sendo tu judeu, me pedes de beber, a mim, que sou mulher samaritana? (os judeus não se comunicavam com os samaritanos.)
Jesus retorquiu:
- Se conhecesses o dom de Deus e soubesses quem é que te diz “ dá-me de beber”, tu me terias pedido e eu te daria água viva.
Disse-lhe a mulher:
- Senhor, tu não tens com que tirá-la, e o poço é fundo; onde vais então arranjar essa água viva? És tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e também os seus filhos, e o seu gado?
Replicou-lhe Jesus:
- Todos os que beberem desta água voltarão a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele em uma fonte de água que jorra para a vida eterna…
A mulher suplicou:
- Senhor, dá-me dessa água, para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui tirá-lo do poço.
Disse-lhe Jesus:
- Vai chamar o teu marido e venham cá os dois.
Ao que a samaritana respondeu:
- Não tenho marido.
- Disseste bem, não tens marido – ripostou Jesus. Porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade.
Então Maria Madalena, estupefacta, exclamou:
- Senhor, vejo que és profeta!
E, dizendo isto, Madalena foi-se acercando de Jesus, segurando-lhe nas mãos.

Jesus, perturbado com a presença assim próxima duma mulher tão bela, não resistiu e docemente depositou nos seus lábios um ardente beijo.

Ao ouvir as vozes dos discípulos que regressavam da cidade com a comida, Madalena colocou o cântaro na cabeça e afastou-se rapidamente.


Com base neste lendário episódio o poeta açoriano Eduardo Bettencourt compôs o poema que se segue, e que deu origem ao belíssimo Fado de Coimbra que está ouvindo.
Para quem não sabe, este fado estava proibido pela censura durante a vigência do Estado Novo (regime de Salazar), o que significa que não podia ser transmitido na rádio nem cantado em locais públicos.
Contudo cresci a ouvir a minha Mãe cantá-lo, em casa, é claro. Talvez por isso tenho um carinho especial por ele.

SAMARITANA

Dos amores do redentor
Não reza a história sagrada,
Mas diz uma lenda encantada
Que o bom Jesus sofreu de amor

Sofreu consigo e calou
Sua paixão divinal
E assim como qualquer mortal
Um dia de amor palpitou

Samaritana plebeia de Sicar
Alguém espreitando
Te viu Jesus beijar
De tarde quando
Foste encontrá-lo só
Morto de sede, junto à fonte de jacó

E tu, risonha, acolheste
O beijo que te encantou
Serena empalideceste
Jesus Cristo corou
Corou por ver quanta luz
Irradiava da tua fronte
Quando disseste Oh bom Jesus
Que bem eu fiz Senhor em vir à fonte.

Samaritana, plebeia de Sicar…

Texto meu, resultante de várias consultas na Net.
Imagens da Net.

quarta-feira, 17 de março de 2010

TAJ MAHAL

Baber, o grande descendente de Gengis Kahn, invadiu a Índia em 1.565, trazendo o seu povo guerreiro da Ásia Central.
Os Moghul, de sangue mongol, de religião islâmica, e de cultura e língua persa, criaram na Índia um império de glória e elegância.
O Imperador Shah-Jahan foi o genial edificador dessa dinastia.

Shah-Jahan viveu um sonho de amor quase irreal.
Ele amou e desposou Arjumand Banu Begun, que mais tarde se tornaria imortal com o nome de Muntaz-Mahal.

Sem qualquer explicação aparente, de um momento para o outro, todas as trezentas mulheres que compunham o harém deixaram de interessar a Shah-Jahan. Ele não queria saber de mais ninguém para além de Arjumand, que era jovem, linda e inteligente.
Shah-Jahan e a bela Arjunabd casaram e tiveram 13 filhos.

Como Imperatriz, revelou-se excelente conselheira do marido nas complicações sobre questões de Estado.
Tornou-se querida do povo pela sua caridade e a sua dedicação ao Imperador.
O príncipe não queria saber de mais ninguém.

Quando o 14º filho de Shah-Jahan e Arjumand estava nascendo, ela não suportou as dores do parto e morreu.
O príncipe entrou em desespero e quase morreu também, de tristeza e desgosto.
Deixou para sempre as vestes reais e nunca mais abandonou o luto.
A sua vida passou a ser apenas desolação e lágrimas amargas.
Reza a história que, em apenas três meses, a sua barba negra embranqueceu completamente.

Para abrigar o corpo morto da sua amada, ele decidiu construir um palácio.
Mandou comprar os melhores mármores e encomendou rubis e jades para decorar o mais belo túmulo que alguém poderia ter.
Mandou vir os mais famosos arquitectos e artistas do império persa e mongol para a construção do Monumento, que veio representar todo o seu amor por Mumtaz-Mahal:
O “TAJ MAHAL”.
Vinte mil trabalhadores estiveram ocupados durante anos para erguê-lo.
Ordenou que se construísse o túmulo para a bem-amada segundo as seguintes orientações:
"Que não seja fúnebre, pois deverá celebrar a curta vida de um amor.
A sua beleza e graça hão de recordar eternamente a mulher, sem envelhecer.

Será um sonho de mármore edificado na fronteira delicada entre o real e o irreal, como a própria paixão".

O Taj Mahal foi edificado em Agra, quando a cidade era a capital do império Mongol, entre os séculos XVI e XVIII.
Demorou 22 anos para ser construído e ficou pronto em 1653.
Considerado um monumento ao amor, a sua construção é admirada no mundo inteiro.
Devido ao revestimento em mármore branco, o prédio pode ser visto a mais de 40 quilômetros de distância e nas noites de céu limpo reflete o brilho da lua.

Shah Jahan resolveu então construir um novo palácio, onde ele próprio seria enterrado.

Mas seus filhos não deixaram o príncipe cometer mais essa loucura e prenderam-no numa fortaleza.
Quando ele morreu, foi enterrado no Taj Mahal, ao lado do seu amor.
Shah-Jahan e Arjumand Begun dormem juntos para sempre no mais lindo palácio do mundo.

A simplicidade do desenho e a sumptuosidade da realização misturam-se numa maravilha de arte que compete, em matéria de sublime beleza, com os templos gregos e as mais famosas catedrais da Idade Média e do renascimento.

Um comprido espelho d' água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam.

Quatro torres laterais protegem a construção.

Ao centro, o grande palácio de mármore branco.

Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém o tivesse soprado do seu interior.

Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal.
As duas pequenas lembram grandes turbantes árabes.
O enorme Taj Mahal parece que vai desprender-se da terra e voar como um tapete mágico.


Texto adaptado de informações colhidas na Internet
Imagens: Internet e outras fontes

quarta-feira, 3 de março de 2010

DECIDI SAIR COM OUTRA MULHER

Recebi de pessoa amiga, há muito tempo, em forma de PPS , com a indicação de que se tratava de um caso real.
Não posso afirmar que o seja, mas, no fundo, o que é que isso importa?
Decida por si mesmo…

DECIDI SAIR COM OUTRA MULHER

Depois de 21 anos de casado, descobri uma nova maneira de manter viva a chama do amor.
Há pouco tempo decidi sair com outra mulher.
Na realidade a ideia foi da minha esposa.
- Tu sabes que a amas - disse, um dia, a minha esposa, de surpresa.
A vida é muito curta e deves dedicar um tempo especial a essa mulher - completou ela.
A outra mulher a quem a minha esposa se estava a referir, era a minha mãe, uma senhora viúva há 19 anos. As exigências do meu trabalho e os meus filhos faziam com que eu apenas a visitasse ocasionalmente.
Nessa mesma noite eu convidei-a para jantar e ir ao cinema.

- O que é que tens? Está tudo bem contigo? - perguntou-me ela após o convite.
(A minha mãe é do tipo de pessoas para quem um telefonema tarde, ou um convite surpresa é indicio de más noticias).
- Pensei que seria agradável passarmos algum tempo só nós dois - respondi.
Ela reflectiu um momento e disse sorrindo:
- Isso ia me agradar muitíssimo!
Uns dias depois fui busca-la, depois do meu trabalho. Estava um tanto ansioso...uma ansiedade que antecede um primeiro encontro...
E que coisa interessante... Pude notar que ela estava muito emocionada. Esperava-me na porta. Tinha feito um penteado especial e usava o vestido com que celebrou o seu último aniversário de bodas.
O seu rosto irradiava luz, como um anjo!

- Eu disse às minhas amigas que ia sair contigo, e elas ficaram muito impressionadas... - comentou ela enquanto subia para o carro.


Fomos a um restaurante não muito elegante, mas muito aconchegante.
A minha mãe agarrou-se ao meu braço como se fosse a primeira dama.
Quando nos sentamos, tive de ler o menu para ela.
A minha mãe, que estava sentada do outro lado da mesa e me olhava fixamente, disse com um sorriso nostálgico nos lábios:
- Era eu quem lia o menu quando eras pequeno.
- Então é hora de relaxar e me permitir devolver o favor - respondi.

Durante o jantar tivemos uma agradável conversa. Nada de extraordinário, apenas colocando a vida em dia. Falamos tanto que perdemos a hora do cinema.

- Sairei contigo novamente só se me permitires que eu pague da próxima vez - disse a minha mãe quando a fui levar em casa.
Eu concordei.

- Como foi o encontro? - perguntou a minha esposa, ansiosa.
- Muito agradável. Muito mais do que eu poderia imaginar! - respondi.

Umas semanas mais tarde a minha mãe faleceu de um enfarte fulminante.
Tudo foi tão rápido, que não pude fazer nada.

Uns tempos depois, recebi do restaurante onde havíamos jantado, um envelope com cópia de um cheque e uma nota que dizia:
- O jantar que teríamos, paguei antecipado. Estava quase certa de que eu poderia não estar ali contigo e, por isso, paguei e quero que vás com a tua esposa.
Jamais poderás entender o que aquela noite significou para mim.
Que seja sempre assim.
Amo-te!

Nesse momento compreendi a importância de dizer
“EU AMO-TE”, e de dar aos nossos entes queridos o espaço que merecem.

Nada na vida será mais importante que as pessoas que amamos.

Dedica o teu tempo a elas porque, talvez, elas não possam esperar...
Reflecte e vê como tens dividido o teu tempo.

Será que tens dedicado uma parte do teu tempo às pessoas que amas?

Faz isso antes que seja tarde demais..
ELAS PODERÃO ENSINAR ALGO EM QUE NUNCA PENSASTE.
ESSAS COISAS , GERALMENTE, DÃO UMA QUANTIDADE ENORME DE SATISFAÇÃO E ALEGRIA.
ACREDITA!!!
É REAL!!!


“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...”

(Renato Russo)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

UMA FÁBULA SOBRE A FÁBULA

Quando Deus criou a mulher, criou também a Fantasia.

Um dia, a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harum Al-Raschid.
Envoltas as lindas formas num véu claro e transparente, foi bater à porta do rico palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Verdade – respondeu ela com voz firme. Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harum Al-Rashid, o sheik do Islão.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir:
- Senhor – disse, inclinando-se humilde – uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Rashid, Príncipe dos Crentes.
- Como se chama?
- Chama-se A Verdade.
- A Verdade? – exclamou o grão-vizir, subitamente assaltado de grande espanto. A Verdade quer penetrar neste palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? A perdição, a nossa desgraça! Diz-lhe que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!
O chefe dos guardas voltou com a resposta do grão-vizir e disse à Verdade:
- Não podes entrar, minha filha. A tua nudez iria ofender o nosso califa. Com esses ares impudicos não poderás ir à presença do Príncipe dos Crentes, o nosso glorioso sultão Harum Al-Rashid. Volta, pois, pelos caminhos de Alá!
Vendo que não conseguia realizar o seu intento a Verdade ficou muito triste, e afastou-se lentamente do grande palácio do magnânimo sultão Harum Al-Rashid, cujas portas se fecharam à diáfana formosura.

Mas… Allahur Akbar! (Deus é grande!)

Quando Deus criou a mulher também criou a Obstinação.
E a Verdade continuou a alimentar o seu propósito de visitar um grande palácio. E tinha que ser o palácio onde morava o sultão Harum Al-Rashid.
Cobriu as suas lindas formas com um couro grosseiro como os que usavam os pastores, e foi novamente bater à porta do sumptuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas.
Ao ver aquela formosa mulher grosseiramente vestida com peles, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Acusação – respondeu ela, em tom severo. Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harum Al-Rashid, Comendador dos Crentes.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu a entender-se com o grão-vizir:
- Senhor – disse, inclinando-se humilde – uma mulher desconhecida, o corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano, o sultão.
- Como se chama ela?
- A Acusação!
- A Acusação? – repetiu o grão-vizir, aterrorizado. A Acusação quer entrar neste palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse? A perdição, a desgraça!
Diz-lhe que não, não pode entrar. Diz-lhe que uma mulher, sob as vestes grosseiras de um zagal, não pode falar ao Califa, nosso amo e senhor.
Voltou o chefe dos guardas com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade:
- Não podes entrar, minha filha. Com essas vestes grosseiras, próprias de um beduíno rude e pobre, não poderás falar ao nosso amo e senhor, o sultão Harum Al-Rashid. Volta, pois, em paz, pelos caminhos de Alá!
Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, a Verdade ficou ainda mais triste. Afastou-se vagarosamente do grande palácio, cuja cúpula cintilava aos últimos clarões do sol poente.

Mas… Allahur Akbar! (Deus é grande!)

Quando Deus criou a mulher criou também o Capricho.
E a Verdade encheu-se do vivo desejo de visitar um grande palácio.
E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harum Al-Rashid.
Vestiu-se com riquíssimos trajes, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto num manto diáfano de seda, e foi bater à porta do palácio em que vivia o senhor dos Árabes.
Ao ver aquela encantadora mulher, linda como a quarta lua do mês do Ramadão, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Fábula – respondeu ela, em tom meigo e mavioso. Quero falar ao vosso amo e senhor, Emir dos Árabes.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu, radiante, a falar com o grão-vizir:
- Senhor – disse inclinando-se, humilde – uma linda mulher, vestida como uma princesa, solicita audiência do nosso amo e senhor, o sultão Emir dos Crentes.
- Como se chama?
- Chama-se A Fábula.
- A Fábula? – exclamou o grão-vizir, cheio de alegria. A Fábula quer entrar neste palácio! Alá seja louvado! Que entre! Bem vinda seja a encantadora Fábula. Cem formosas escravas irão recebê-la com flores e perfumes. Quero que a Fábula tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!
E, abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou.
E foi assim, sob o aspecto de Fábula, que a Verdade conseguiu aparecer ao poderoso califa de Bagdá, o sultão Harum Al-Rashid, vigário de Alá, e senhor do grande império muçulmano.

Lenda árabe

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A LENDA DO ARCO-ÍRIS


Existem muitas lendas que se referem ao arco-íris, na sua maioria fruto do folclore ou da criatividade poética e artística, inspirando obras como o filme musical “O feiticeiro de Oz” com a lindíssima canção “Over the Rainbow”, que pode escutar aqui enquanto lê, bastando, para tanto, ligar o som.
Antigamente cria-se que este fenómeno óptico era um sinal divino, uma ponte que unia o céu à terra, ou seja, que unia o plano físico ao espiritual, crença que perdura até hoje nalguns locais.
Entre a fé, a lenda e a realidade esse fenómeno é também conhecido por arco-celeste, arco-da-aliança, arco-da-chuva e arco-da-velha.

Não vou aqui debruçar-me sobre os aspectos científico-naturais dum fenómeno que a todos agrada ver, pelas lindas cores que ostenta.
Vou antes contar-vos duas das muitas lendas que existem acerca do arco-íris, que considero particularmente bonitas.
Hesitei muito entre as duas, e, tal como Marco Paulo, não sabendo de qual gosto mais… optei por publicar as duas.


Havia, num reino distante, uma menina muito sonhadora, que se chamava Esperança.
Sonhava e acreditava que tudo era colorido, e por isso a vida era maravilhosa.
Nascera fruto de uma noite de desejo do senhor seu Pai e de uma loucura da senhora sua Mãe. Como carinho recebeu a “distância”; como afecto a “ausência”; e como aconchego o “abandono”. Mas isto não a fazia descrer das cores da vida, nem fazia diminuir a sua confiança nas pessoas. Imaginava que todos os homens eram de carácter nobre. Por isso, chegada a idade própria, casou-se.
Mas o “grande homem” que ela pensava ser aquele com quem se casou, veio a revelar-se um algoz que tudo fez para a maltratar, acabando por querer roubar-lhe os filhos.

Esperança começou a ver a vida menos colorida, e as pessoas menos nobres do que ela imaginara.
Via agora com outros olhos o reino onde vivia. Por onde passava apercebia-se que havia muita dor; aquele reino maltratava muito os seus filhos.
Esperança chorava. Quase perdeu a fé em si mesma e nos outros. Já mal acreditava no Amor, e quase nunca sonhava.

Um dia, exausta e desiludida, Esperança não acordou mais para a vida.
Nesse dia choveu como se a chuva fossem lágrimas. Parecia que os céus lamentavam a partida de alguém que sonhara.

O Deus Sereno, que era o deus do reino, não querendo que a lembrança de Esperança se apagasse, resolveu homenageá-la.
Ordenou que todas as lágrimas que caíssem, toda a água que chovesse, toda e qualquer gota de água que se movimentasse na luz, se transformassem em água de muitas cores.

A partir daí, as águas que se movimentam na luz, passaram a gerar um lindo arco-íris, fazendo recordar a menina sonhadora que adorava ver as cores no mundo, e se chamava Esperança.

E para que ninguém a deixe morrer, e ela esteja sempre presente, mesmo nos momentos de maior tristeza da alma; para que ela esteja lá a renovar-se e a propor um novo dia cheio de fé, surge o ARCO-ÍRIS.





Em tempos remotos os ciganos foram perseguidos e massacrados em todo o mundo.
O seu desespero era grande, pois eles odiavam guerras, e em vez de armas preferiam transportar o seus violinos, dançar e cantar alegres canções.
Era enorme o seu desejo de liberdade, por isso os ciganos eram nómadas.
Cansada de fugir e chorar as perdas de parentes e amigos, uma bela cigana, grávida, ao ver o arco-íris, invocou-o, pedindo salvação para o seu povo. Fê-lo com toda a devoção e fervor, pensando no filho que carregava no ventre, e que, em breve, iria nascer no meio de toda aquela violência e miséria.
A mulher, ajoelhada e chorando copiosamente, esperava uma resposta do arco-íris, quando se apercebeu que as cores que ela fitava começavam a brilhar com mais intensidade, alternando-se rapidamente.

Limpou as lágrimas, pensando estar a imaginar fantasias; mas, mais serena, verificou que não era fantasia, as cores estavam mesmo a alternar-se, como se fossem pequenos sinos emitindo sons divinos.

Sentiu dentro de si uma enorme paz; segurou com as mãos o ventre que guardava o filho, e rogou ao arco-íris que acabasse com a situação do seu povo.

De súbito ouviu uma voz emanando das cores do arco-íris dizendo-lhe para ter calma, e garantindo-lhe que não perderia o filho que ela guardava no seu ventre como um tesouro. A voz acrescentou:
“Essa criança fará com que as minhas cores ganhem vida nas suas mãos e receberá, para si e todas as gerações vindouras, muitas moedas de ouro, pois vou lhe oferecer o pote encantado que trago comigo, assim como toda a sua magia.

Com o verde ele levará a esperança e a fartura; com o vermelho, a vida, o entusiasmo e o vigor; com o amarelo, a realeza e a riqueza; com o azul, a serenidade e a intuição; com o laranja, a energia, a vitalidade e a emotividade; com o violeta levará a transmutação e a perseverança; com o rosa o amor, a beleza, a moralidade e a música”.

A lenda cigana espalhou-se pelo mundo, levada pelo encanto das roupas coloridas desse povo, pela magia das suas danças, pela sua atracção pelo ouro e pela crença de que existe um pote de ouro inesgotável para além do arco-íris.

O arco-íris foi sempre símbolo de uma nova esperança, já que ele se projecta no céu logo após uma tempestade.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A CARTEIRA

Perdoem-me por um texto tão longo, mas achei esta história tão bonita que não resisti a partilhá-la convosco.
Boa leitura!
A CARTEIRA

Eu voltava para casa, num dia muito frio, quando tropecei numa carteira. Procurei algum meio de identificar o dono. Mas a carteira só continha três dólares e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali durante muitos anos.
No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente.
Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica. Então vi o cabeçalho. A carta tinha sido escrita quase sessenta anos antes.
Tinha sido escrita com uma bonita letra feminina em azul claro sobre um papel de carta com uma flor no canto esquerdo. A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com Michael, mas ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria.
Assinado: Hannah
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo (com exceção do nome de Michael) de identificar o dono.
Entrei em contacto com a compnhia telefónica, expliquei o problema à operadora e pedi-lhe o número do telefone do endereço que havia no envelope.
A operadora disse que havia um telefone mas não poderia dar-me o número. Por sua própria sugestão, entrou em contato com o número, explicou a situação e fez uma conexão daquele telefone comigo.
Eu perguntei à senhora do outro lado se ela conhecia alguém com o nome de Hannah. Ela respondeu:
- Ah! Nós compramos esta casa a uma família que tinha uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há 30 anos!
- E a senhora saberia onde aquela família pode ser localizada agora? – perguntei.
- Tanto quanto me lembro, aquela Hannah teve que colocar sua mãe num lar de idosos há alguns anos - disse a mulher. Talvez se você entrar em contacto eles possam informar.
Deu-me o nome do lar e eu liguei. De lá contaram-me que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás, mas eles tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo.
Agradeci-lhes e telefonei. A mulher que atendeu explicou que aquela Hannah estava morando agora num lar de idosos.
- Isto começa a parecer-me estúpido - pensei comigo mesmo. Para que estava eu fazendo aquele movimento todo só para achar o dono de uma carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos?
Apesar disto, liguei para o lar no qual era suposto que Hannah estivesse vivendo. O homem que atendeu disse-me:
- Sim, a Hannah está morando connosco.
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se poderia ir lá para a ver.
- Bem – disse ele, hesitante - se você quiser se arriscar, ela talvez esteja na sala assistindo à televisão.
Eu agradeci e corri para o lar. A enfermeira nocturna e um guarda cumprimentaram-me à porta. Fomos até ao terceiro andar. Na sala, a enfermeira apresentou-me a Hannah. Era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso calmo e um brilho no olhar.
Falei-lhe da carteira e mostrei a carta. Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo e disse:
- Esta carta foi o último contacto que tive com Michael.
Parou um momento, a pensar, e então disse suavemente:
- Eu amei-o muito. Mas na ocasião eu tinha só 16 anos e a minha mãe achava que eu era muito jovem. Oh, ele era tão bonito! Parecia-se com Sean Connery, o actor.
- Sim - continuou. Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa. Se você o encontrar diga-lhe que eu penso frequentemente nele. E… - ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio: diga-lhe que eu ainda o amo.
Você sabe - disse ela sorrindo com lágrimas que começaram a rolar nos seus olhos - eu nunca me casei. Jamais encontrei alguém que correspondesse ao Michael…
Agradeci a Hannah e disse-lhe adeus.
Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou:
- A velha senhora pôde ajudá-lo?
- Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho que vou deixar isto para depois. Passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira.
Quando o guarda viu a carteira, disse:
- Hei, espere um minuto! Essa é a carteira do Sr. Goldstein. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele está sempre a perder a carteira. Eu devo tê-la achado pelos corredores pelo menos umas três vezes.
- Quem é o Sr. Goldstein? - perguntei, com a minha mão começando a tremer.
- É um dos idosos do 8º andar. Isso é a carteira de Mike Goldstein, sem dúvida. Ele deve tê-la perdido num dos seus passeios.
Agradeci ao guarda e corri ao gabinete da enfermeira.
Contei-lhe o que o guarda tinha dito. A enfermeira e eu voltamos para o elevador e subimos.
No oitavo andar ela disse:
- Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta de ler à noite. É um homem bem velho.
Fomos até ao único quarto que ainda tinha luz e lá estava um homem lendo um livro. A enfermeira foi até ele e perguntou-lhe se tinha perdido a carteira.
O Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse:
- Oh, está perdida!
- Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua.
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio e disse:
- Sim, é minha! Devo tê-la deixado cair hoje à tarde.
Eu quero lhe dar uma recompensa.
- Não, obrigado – respondi. Mas eu tenho que lhe contar algo: eu li a carta na esperança de descobrir o dono da carteira.
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
- Você leu a carta?
- Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah está.
Ele ficou pálido de repente.
- Hannah? Você sabe onde ela está? Como está ela? É ainda tão bonita quanto era? Por favor, por favor diga-me - implorou.
- Ela está bem... E bonita da mesma maneira como quando o senhor a conheceu - respondi suavemente.
O homem sorriu e perguntou:
- Você pode me dizer onde ela está? Quero telefonar-lhe amanhã. Agarrou a minha mão e disse:
- Eu estava tão apaixonado por aquela menina que quando aquela carta chegou, a minha vida literalmente terminou. Eu nunca me casei. Eu sempre a amei.
- Sr. Goldstein – disse eu. Venha comigo.
Fomos de elevador até ao terceiro andar. Atravessamos o corredor até à sala onde Hannah estava assistindo à televisão. A enfermeira caminhou até ela.
- Hannah - disse suavemente, enquanto apontava para Michael, que estava esperando comigo na entrada – você conhece este homem?
Ela ajeitou os óculos, olhou um momento, mas não disse uma palavra. Michael disse suavemente, quase num sussurro:
- Hannah, é o Michael. Lembras-te de mim?
- Michael! Eu não acredito nisto! Michael! És tu! Meu Michael!
Ele caminhou lentamente até junto dela e abraçaram-se.
A enfermeira e eu partimos com lágrimas nos olhos.
- Veja – disse eu. Veja como o bom Deus trabalha! O que tiver que ser, será!
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do lar no meu escritório.
- Você pode vir no domingo para assistir a um casamento? O Michael e Hannah vão se casar!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do lar devidamente vestidas para a celebração.
Hannah usou um vestido bege, claro e bonito. Michael usou um fato azul escuro.
O lar deu-lhes o próprio quarto e se você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha que ver este par!


Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos.

Autor (a) do texto: Desconhecido

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

PRESERVAÇÃO DA NATUREZA

Proponho-vos que comecemos (e continuemos) o ano pensando na preservação da Natureza.
Ela, e todas as Mães do mundo, vão agradecer-nos.
As imagens que se seguem falam por si, dispensam apresentações.