quarta-feira, 21 de julho de 2010

PEQUENAS HISTÓRIAS ENTERNECEDORAS

Um dia, o autor e conferencista Leo Buscaglia contou que tinha sido convocado para participar, como jurado, num concurso que se destinava a escolher a “criança especial”.
Foram apuradas várias crianças, dentre as quais foi posteriormente eleita a vencedora.

Eis quatro pequenas histórias que ele contou:

Um menino de 4 anos tinha um vizinho idoso cuja esposa tinha falecido recentemente.
Ao vê-lo chorar, o menino foi para o quintal dele e sentou-se simplesmente no seu colo.

Quando a mãe lhe perguntou o que tinha dito ao velhinho, ele respondeu:

- Nada. Só o ajudei a chorar.

Os alunos da professora do primeiro ano, Debbie Moon, estavam a examinar uma foto de família.
Uma das crianças da foto tinha os cabelos de cor bem diferente dos outros.
Alguém sugeriu que essa criança deveria ter sido adoptada.
Logo uma menina disse:
- Sei tudo sobre adopção porque eu fui adoptada.
De imediato outro aluno perguntou:

- O que significa “ser adoptado”?
- Significa - disse a menina - que tu cresceste no coração da tua mãe, e não na barriga!

Sempre que estou decepcionado com meu lugar na vida, eu paro e penso no pequeno Jamie Scott.
Jamie queria muito ter um papel na peça da escola. A mãe disse que tinha procurado preparar o seu coração, pois ela temia que ele não fosse escolhido.

No dia em que os papéis foram distribuídos, eu fui com ela buscá-lo à escola. Jamie correu para a mãe, com os olhos brilhantes de orgulho e emoção:
- Adivinha, mãe!
E disse aquelas palavras, que continuariam a ser uma lição para mim:
- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria!

Conta uma testemunha ocular de Nova York:
Num frio dia de Dezembro, há alguns anos, um rapazinho de cerca de 10 anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos, olhando a montra e tremendo de frio.
Uma senhora aproximou-se do rapaz e disse:
- Porque estás a olhar para essa montra com um ar tão pensativo?
- Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos - respondeu o garoto.
A senhora segurou-lhe na mão, entrou na loja e pediu ao empregado para dar meia dúzia de pares de meias ao menino. Em seguida perguntou ao empregado se poderia arranjar-lhe uma bacia com água e uma toalha.
Amavelmente o empregado satisfez o seu pedido.
Ela levou o menino para a parte de trás da loja e, ajoelhando-se, lavou os pequenos pés e secou-os com a toalha.

Entretanto o empregado já tinha trazido as meias.

Ela calçou-as nos pés do garoto. Comprou-lhe também um par de sapatos, e calçou-lhos.

Depois entregou-lhe os outros pares de meias e carinhosamente, perguntou:

- Então? Agora já te sentes mais confortável…
Dizendo isto voltou-se para ir embora quando o menino lhe segurou na mão.
Olhando o seu rosto, com lágrimas nos olhos, perguntou:

- A senhora é a mulher de Deus?

Leo Buscaglia


Leo Buscaglia
31.03.1924 – 12.06.1998


Leo Buscaglia (Felice Leonardo Buscaglia) ítalo-americano foi professor na Universidade do Sul da Califórnia, USA.
Foi o escritor que mais se dedicou a escrever sobre o Amor, exaltando as ideias de se viver o momento, expressar o Amor que se sente por alguém, e não criar demasiadas expectativas.
Idealizou um curso sobre Amor na própria Universidade.
"Tanto quanto sei, somos a única escola no país, e talvez no mundo, que tem uma disciplina chamada "Amor, 1 A", e eu o único professor bastante louco a ponto de ensiná-la"''

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O SOM DO BÚZIO

Peço às minhas amigas e aos meus amigos que me permitam dedicar esta postagem à minha Amiga PÉROLA

Há tempos ela perguntava porque é que se ouve o som do mar encostando o ouvido a um búzio. Eu prometi explicar-lhe. Para o efeito escrevi este modesto conto, passado no reino da fantasia.
Espero que gostem.


Andava o belo mancebo passeando na praia, absorto nos seus pensamentos quando foi “despertado” por um som anormal vindo do mar.
Olhou na direcção donde vinha o estranho som, que lhe pareceu de barbatanas, anormalmente alto. Parou, estupefacto. O que viu encheu-o de assombro:
O tronco de uma mulher belíssima, batendo alegremente com as mãos sobre a água, ao mesmo tempo que enormes barbatanas, que pareciam ser a continuação do seu tronco, se moviam em lentos movimentos, fazendo um remoinho de espuma à sua volta.
Longos cabelos negros desciam-lhe pelas costas, formados por algas marinhas, e do pescoço, marmóreo, pendiam grandes colares de pérolas que lhe ocultavam os seios.
Notando a presença do jovem rapidamente mergulhou; mas, curiosa, apareceu novamente, desta vez mantendo as mãos quietas sobre as ondas, movendo as barbatanas muito lentamente.
O jovem não conseguia desviar o olhar nem dar um passo em qualquer direcção.
A sereia, pois que duma sereia se tratava, continuou a olhá-lo por alguns momentos; mas, notando que o jovem não saía do seu lugar, nadou rapidamente para um pequeno rochedo que se encontrava próximo do rebentar das ondas, subiu e sentou-se.
Levando aos lábios um búzio começou a entoar uma canção. Era um som mágico, atraente, hipnotizador.
O jovem, sem pensar, imediatamente correu na direcção do rochedo e, lançando-se ao mar, nadou a pequena distância que o separava do penedo. Apoiando as mãos na rocha, com um leve movimento ergueu-se, e de imediato se encontrou junto da sereia.

Perguntou-lhe, meigamente:
- Donde vieste? Eu venho aqui todos os dias, espairecer a minha tristeza, e nunca te vi…
- E qual o motivo dessa tua tristeza? – indagou a sereia, sem responder à pergunta.
- A família da minha amada mudou-se para as montanhas. Eu não posso estar separado da mulher que amo… mas assusta-me ir viver para lá. Nasci à beira mar e é aqui que me sinto feliz. Adoro o mar. Adormeço embalado pelo som das ondas a beijar a areia.
O que fazer? Eu quero, eu preciso, estar junto da minha amada, mas preciso também ouvir o mar…
- Não desesperes. Não sabes que para tudo há remédio na vida? Olha para mim. Eu sou filha dum deus marinho e duma bela mulher terrena. O meu coração está sempre dividido entre a terra e o mar. O meu problema é muito semelhante ao teu…
- E qual foi a solução que encontraste? – perguntou o jovem, uma leve esperança a despontar.
- Encontrei a solução possível. Vivo no fundo do mar, mas todos os dias procuro um rochedo onde me sento algumas horas, olhando a terra ao longe, sentindo o chamamento da minha Mãe que lá se encontra sepultada…
- E consegues ser feliz assim?
- Não há felicidade completa, apenas existem momentos felizes. É nosso dever, de todos os seres existentes no mundo real ou imaginário, construir muitos desses instantes.
- Eu já fui feliz muitas vezes. Quando tinha a minha amada junto a mim. Mas agora, com ela tão longe… assalta-me uma tristeza enorme, que só se atenua com estes passeios à beira mar…
Mas depois lembro-me que vou ter que me separar deste mar que adoro, e volto a ficar triste. E, à medida que se aproxima o dia da partida, sinto-me muito estranho, desejando partir e ficar ao mesmo tempo.
A sereia olhou-o longamente, com ar pensativo. Depois disse:
- Para isso eu não tenho remédio; só tu podes decidir se queres ir ou se queres ficar… Mas vou dar-te uma pequena ajuda.
Estás a ver este búzio?
- Sim, usaste-o para entoar aquela deliciosa melodia…
- Desde há longos anos que me acompanha, mas vou oferecer-to.

E fazendo um gesto largo com a mão sobre as ondas, como quem apanha algo, pousou a mão sobre a abertura do búzio. E falou assim:
- Acabei de encher o búzio com o som das ondas do mar.
Retirando uma pérola do pescoço, introduziu-a no búzio, acrescentando:
- Assim o som não pode sair, vai conservar-se lá dentro.
E, inclinando-se sobre o rosto do mancebo depositou em seus lábios um ardoroso beijo.

- Agora, sempre que encostares o búzio ao teu ouvido, ouvirás o som do mar e lembrar-te-ás de mim.
Mergulhou e rapidamente afastou-se do rochedo. O mancebo nadou a pequena distância que o separava de terra.

Caminha agora pela areia, conservando o búzio na mão. Lágrimas deslizam pelo seu rosto. Uma cai dentro da concha, indo juntar-se à pérola oferecida pela sereia, fazendo surgir entre eles, pérola e lágrima, um forte sentimento de Amor que perdura até aos dias de hoje.

A partir desse momento passaram a ouvir-se, encostando a concha ao ouvido, os seus lindos murmúrios de Amor, semelhando o marulhar das ondas do mar.

OBS - Texto de minha exclusiva autoria, fruto apenas da minha imaginação
Mariazita, Julho de 2010