Minhas amigas e meus amigos
Este blog, Histórias de Encantar, vai mudar-se para A CASA DA MARIQUINHAS ,
na qual serão publicados os posts daqui a partir do próximo dia 25/11, quinta-feira.
Espero lá as vossas visitas, que antecipadamente agradeço.
E, se quiserem fazer-se seguidores de lá… dar-me-ão um grande prazer, na medida em que este blog vai encerrar as suas portas por tempo indeterminado.
Muito obrigada pela vossa compreensão.
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
LENDA DE ITAGUAÇÚ
Há muito tempo atrás, antes dos deuses nascerem, lá onde hoje é a praia de Itaguaçú, existia um lindo gramado onde pessoas, bichos e elementos se reuniam para fazer festas, piqueniques, ou simplesmente passear.
Nesse tempo o Gigante ainda não estava adormecido, mas já era o protector da ilha e de todas as pessoas que ali se divertiam.
Um dia foi organizada uma grande festa naquele local, para a qual foram convidadas as pessoas, os bichos e os elementos das matas, das águas e do fogo.
Havia sereias, lobisomens, duendes, silfos, salamandras, vampiros, homens, mulheres, tartarugas, ursos, elefantes marinhos, focas, etc.…
Todos vinham pelo caminho sagrado, chamado de “Caminho das Furnas”, que existia entre o Abraço e o Itaguaçu, passando pelo Bom Abrigo, lá onde o velho sábio fica sentado vendo todo o mundo passar.
Nesse tempo o Gigante ainda não estava adormecido, mas já era o protector da ilha e de todas as pessoas que ali se divertiam.
Um dia foi organizada uma grande festa naquele local, para a qual foram convidadas as pessoas, os bichos e os elementos das matas, das águas e do fogo.
Havia sereias, lobisomens, duendes, silfos, salamandras, vampiros, homens, mulheres, tartarugas, ursos, elefantes marinhos, focas, etc.…
Todos vinham pelo caminho sagrado, chamado de “Caminho das Furnas”, que existia entre o Abraço e o Itaguaçu, passando pelo Bom Abrigo, lá onde o velho sábio fica sentado vendo todo o mundo passar.
Em Itaguaçú, lá no centro do gramado, existia uma grande mesa onde eram colocadas as frutas, verduras, ambrósia, mel, doces…que eram ali servidos para quem estivesse no local.Tudo isso era preparado e transportado por pessoas especiais ( mulheres grávidas ou jovens virgens) para não macular os alimentos que eram servidos.
Trazia-se em balaios ou em peneiras de taquaras (ripa ou lasca de bambu) e cipós extraídos da mata na primeira lua cheia do verão, e tecido antes que a boca da noite findasse, e eram carregados sobre as suas cabeças para energizar os alimentos.
Mas para esta grande festa, o Tibinga, vulgo Coisa Ruim, Diabo, Demónio, etc., não foi convidado, o que o deixou muito furioso.
Assim que começaram os preparativos para esta grande festa, o Gigante sentou-se ao pé do Cambirela para apreciar o movimento.
Via-se uma mulher grávida trazendo um balaio na cabeça com frutas madurinhas e deliciosas.
Mais adiante via-se um casal de jovens, um indo outro vindo da mesa, onde depositavam as frutas e doces. A rapariga vinha com um balaio sobre a cabeça e o jovem, como já tinha deixado os doces, trazia a sua peneira emborcada sobre a cabeça.
Do seu posto o Gigante viu e riu muito, pois lá no meio do caminha o elefante marinho e as tartarugas erraram o caminho e deram de cara com uma coruja que dali observava tudo.Acompanhou também os passinhos lentos e curtos do ursinho que tentava chegar à festa e se espantou com o carinho das morsas.
Depois disso resolveu tirar um cochilo e foi deitar-se.
Junto à mesa um negro tocava um orocongo e ao longe ouvia-se o som de uma rabeca.
Aquela música foi como uma canção de embalar para o Gigante, que adormeceu recostado nas montanhas.
Como o Tibinga tinha ficado fula da vida por não ter sido convidado para esta grande festa, e, sabendo que o gigante protetor da ilha dormia, transformou tudo e todos em pedra.Ao despertar, o Gigante olhou para o gramado e espantou-se ao ver que tudo ali se tinha transformado em pedra; não viu mais os seus amigos: tudo se tinha transformado.
Olhou as tartarugas, o leão marinho e a coruja, totalmente petrificados.
Lá no meio do caminho o pobre ursinho também era pedra; as morsas, que já estavam quase lá, também ficaram petrificadas; a mulher a as crianças também.
- Meu Deus, até o velho sábio? – exclamou o Gigante, tristonho. Tudo e todos viraram pedras, e nunca mais os verei aqui no gramado, não haverá mais alegria neste lugar, e nunca mais falarei com os meus amigos.
O Gigante ficou muito triste, sentou-se ao pé do morro e chorou; chorou muito; chorou tanto que as suas lágrimas encheram toda a região e transformaram tudo em mar.
O Gigante ficou tão triste e desiludido que se deitou para nunca mais se levantar.
E quem olhar para os lados do Cambirela ainda verá o nosso amigo Gigante dormindo.
Para nós ficou a esperança de termos de volta o lindo gramado e também o sorriso alegre do Gigante, que, mesmo adormecido por entre os morros, ainda espalha a sua protecção sobre a ilha e os seus moradores.
E dizem que em noite de lua cheia ainda se ouve o gemido das pedras clamando para voltar à vida.
Baseado na lenda da praia de Itaguaçú.
Itaguaçu é um bairro da cidade brasileira de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina. Está situado na porção continental do município, ao sul, entre os bairros de Coqueiros e Bom Abrigo e a Baía Sul. O nome Itaguaçu é de origem tupi e quer dizer literalmente "Viveiro de Pedras Grandes" ou "Lugar onde há Pedras Grandes". Estas pedras constituem interessantes formações de granito à beira da praia de Itaguaçu e em meio ao mar da Baía Sul, havendo mesmo uma lenda que conta de bruxas que teriam sido petrificadas, dando origem às pedras, uma das quais parece ter um chapéu, e também há um conjunto de 6 pedras que formam um tipo de um círculo com uma sétima pedra no meio (alusão a ritual satânico)…
Existem pequenas praias urbanizadas nas quais alguns bares e restaurantes são especialmente agradáveis pela vista que se descortina, o que faz com que haja um bom movimento. Na praia há um deck de madeira. Infelizmente a balneabilidade destas praias não é recomendável devido à poluição, pois, embora haja rede de esgotos na região, ela não atende a contento, havendo muitas ligações clandestinas às galerias de águas pluviais.
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
A LENDA DE SHERAZADE E AS MIL E UMA NOITES
Shariman era um poderoso Sultão que reinava em absoluto no Oriente. Possuía um belo palácio em Bagdá e seu irmão chamado Shazaman dominava a China.Um dia, Shazaman enviou um mensageiro a Bagdá convidando Shariman para uma visita. Shariman, que gostava de viajar e estava com saudades do irmão, prontamente aceitou.
Estava ele no meio do caminho, quando se lembrou de que deixara no palácio o presente que daria ao seu irmão.
Retornou inesperadamente ao palácio e pôde ver um dos súbditos entrando no quarto de sua esposa.
Enfurecido, Shariman apanhou a espada, e, rasgando o véu que guardava a entrada do quarto dela, surpreendeu os dois abraçados. Ordenou aos guardas que levassem o traidor para a prisão e expulsou a rainha de Bagdá para sempre.
Shariman decidiu que nunca mais confiaria em mulher alguma.
Para evitar traições, ele se casaria com uma jovem a cada noite. No dia seguinte, ao nascer do sol, ela iria embora do reino e não poderia mais voltar.
Shariman encarregava o nobre Mustafá, seu Vizir, de escolher suas esposas.
Várias jovens foram levadas; as famílias não podiam negar nada ao Sultão. Muitas porém fugiam, para escapar ao cruel destino. Chegou um dia que Mustafá não encontrou donzela para casar com o Sultão e voltou preocupado para casa.
O Vizir tinha duas lindas filhas: Sherazade e Denizade. Sherazade, a mais velha, além de bela, era instruída nas artes e nas ciências. Havia lido muitos livros e todas as tardes visitava a praça dos contadores de histórias: um lugar onde várias pessoas se encontravam para contarem as suas aventuras e descobertas.
Vendo seu pai infeliz perguntou o motivo de tanta tristeza. Quando o Vizir
Lhe contou o que se passava, Sherazade disse:
- Pai, leve-me ao Sultão; serei sua esposa e terminarei com essa tragédia.
No dia seguinte Sherazade e seu pai foram ao encontro de Shariman. O sultão ficou admirado de sua beleza e casou-se com ela.
Quando chegou o momento esperado Sherazade olhou para o Sultão e disse:
- Deixe-me alegrar seu coração, meu senhor! Permite que lhe conte uma história?
Curioso, Shariman aceitou.
Sherazade, com sua voz melodiosa, começou a contar histórias de aventuras de reis, de viagens fantásticas, de heróis e de mistérios. Contava uma história após a outra, deixando o Sultão maravilhado.
Sem que Shariman percebesse, as horas passaram e o sol nasceu. Sherazade interrompeu uma história na melhor parte e disse:
- Já é de manhã, meu senhor!
O sultão, interessado na história, deixou Sherazade no palácio para mais
uma noite.
E assim Sherazade fez o mesmo naquela noite; contou-lhe mais histórias e deixou a última por terminar. Sempre alegre, ora contava um drama, ora contava uma aventura, às vezes um enigma, outras vezes uma história real.
Procurava sempre a tenda dos contadores em busca de histórias para nunca repetir nenhuma. Todas as noites Sherazade tinha uma história nova para contar ao Sultão. Ela agiu dessa maneira por mil e uma noites seguidas.
A jovem teve tanta dedicação e foi tão carinhosa, que acabou conquistando o coração do Sultão. Na milésima Segunda noite Shariman declarou:
- Não saberia viver sem suas histórias e seu amor, Sherazade.
Sherazade sorriu e abraçou seu esposo. Sherazade e Shariman foram felizes por muitos e muitos anos.
Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010
QUE SAUDADES DO COMPADRE E DA COMADRE!
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente,
à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronómica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. P’ra quê televisão? P’ra quê rua? P’ra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anónimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. P’ra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite…
Que saudade do compadre e da comadre!
José António Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.
à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronómica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. P’ra quê televisão? P’ra quê rua? P’ra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anónimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. P’ra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite…
Que saudade do compadre e da comadre!
José António Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.
José António Oliveira de Resende

Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
A TRANQUILIDADE DAS OVELHAS
A noite estava escura, céu sem estrelas.
De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento.
As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo.
De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento.
As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo.
Mestre Benjamim sentiu o medo nos seus olhos.Foi então que uma delas perguntou:
- Mestre Benjamim, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim!
Mestre Benjamim respondeu:
- Há sim... E ficou quieto.
Veio então a outra pergunta:
- E qual é esse jeito?
- É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam...
- Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando?
Mestre Benjamim respondeu:
- Quando, durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo.
Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta.
Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta.
É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam:
“ Há um pastor que me protege.
Ele me leva aos lugares de grama verde
E sabe onde estão as fontes de águas límpidas.
Uma brisa fresca refresca a minha alma.
Durante o dia ele me pega no colo e me conduz por trilhas amenas.
Mesmo quando tenho de passar pelo vale escuro da morte eu não tenho medo.
A sua mão e o seu cajado me tranqüilizam.
Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que comer.
Passa óleo perfumado na minha cabeça para curar minhas feridas.
E me dá água fresca para sarar o meu cansaço.
Com ele não terei medo, eternamente...”
(Salmo 23, paráfrase)
Mestre Benjamim parou de falar.
Os olhos de todas as crianças estavam nele.
Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou:
- E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem?
- Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes eles atacam e matam.
Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas a despeito do perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo.
Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo...
Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas a despeito do perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo.
Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo...
As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando nos pensamentos das ovelhas.
De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto.
De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto.
Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.
Do livro de Rubem Alves: “Perguntaram-me se acredito em Deus”.
Rubem Alves
Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010
UMA HISTÓRIA DE AMOR - ABELARDO E HELOÍSA
Pedro Abelardo nasceu em 1079, em Le Pallet, perto de Nantes, Bretanha. Tornou-se célebre na Europa como Professor de Teologia e Intelectual.
Em 1114 conheceu Heloísa, à data com 14 anos, rendendo-se aos seus encantos.
Veja a trágica história de amor que ambos viveram.
ABELARDO E HELOÍSA
O romance entre Heloísa e o filósofo Pedro Abelardo iniciou-se em Paris, no período entre o final da Idade Média e o início da Renascença.
Abelardo havia sido recentemente contratado pela Escola Catedral de Notre Dame, tornando-se, em pouco tempo, muito conhecido por admirar os filósofos não cristãos, numa época de forte poder da Igreja Católica.
Heloísa, que já ouvira falar de Abelardo e se interessava pelas suas teorias polémicas, tentou aproximar-se dele através dos seus professores. Mas as suas tentativas foram em vão.
Uma tarde, Heloísa saiu para passear com a sua criada Sibyle, e aproximou-se de um grupo de estudantes reunidos em torno de alguém.
O seu chapéu foi levado pelo vento, indo parar precisamente nos pés do jovem que era o alvo das atenções, o mestre Abelardo.
Ao escutar o seu nome, o coração de Heloísa disparou!
Ele apanhou o chapéu e, quando Heloísa se aproximou para o pegar, ele logo a reconheceu como Heloísa de Notre Dame, convidando-a para juntar-se ao grupo.
Risos jocosos foram ouvidos, mas cessaram imediatamente quando os dois se olharam.
Heloísa colocou o seu chapéu, fez uma reverência a Abelardo, e retirou-se.
Desde esse encontro, porém, Heloísa não conseguiu mais esquecer Abelardo.
Fingiu estar doente, dispensou os seus antigos professores, e passou a interessar-se pelas obras de Platão e Ovídio, pelo Cântico dos Cânticos, pela alquimia e pelo estudo dos filtros, essências e ervas.
Ela sabia que Abelardo seria atraído pelas suas actividades e viria até ela.
Quando ficou sabendo dos estudos de Heloísa, conforme previsto por ela, Abelardo imediatamente a procurou.
Abelardo tornou-se amigo de Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa, que logo o aceitou como o mais novo professor da sua sobrinha, hospedando-o em sua casa, em troca das aulas nocturnas que ele lhe daria.
Em pouco tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas, e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert, passaram a ficar a sós.
Fulbert ia dormir, e a criada retirava-se discretamente para o quarto ao lado.
Em alguns meses conheciam-se muito bem, e só tinham paz quando estavam juntos.
Um dia Abelardo tirou o cinto que prendia a túnica de Heloísa, e os dois amaram-se.
A partir desse momento Abelardo passou a desinteressar-se de tudo, só pensando em Heloísa, descuidando-se das suas obrigações como professor.
Os problemas começaram a surgir. Primeiro, esse amor começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto.
Não havia lugar para o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento dos dois, originando um intenso conflito para ambos. Ao mesmo tempo, Sibyle, a criada, adoecera, e uma outra serva que a substituíra encontrou uma carta de Abelardo dirigida a Heloísa, e a entregou a Fulbert, que imediatamente expulsou Abelardo.
No entanto isso não foi suficiente para separá-los.
Heloísa preparou poções para seu tio dormir, e, com a ajuda da criada Sibyle, Abelardo foi conduzido ao porão, local que passou a ser o ponto de encontro dos dois.
Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert acabou por descobri-los.
Heloísa foi espancada, e a casa passou a ser cuidadosamente vigiada.
Mesmo assim o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram a encontra-se onde pudessem: sacristias, confessionários e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia frequentar sem acompanhantes a seu lado.
Heloísa acabou engravidando, e para evitar aquele escândalo, Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, no interior da França.
Ali, Abelardo deixou Heloísa aos cuidados da sua irmã, e voltou a Paris;
mas não aguentou a solidão que sentia longe da sua amada, e resolveu falar com Fulbert para pedir o seu perdão e a mão de Heloísa em casamento.
Surpreendentemente Fulbert perdoou e concordou com o casamento.
Ao receber as boas novas, Heloísa deixando a criança com a irmã de Abelardo, voltou a Paris, sentindo, no entanto, um prenúncio de tragédia.
Casaram-se no meio da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de Notre Dame, sem sequer trocar alianças ou um beijo na frente do sacerdote.
O sigilo do casamento não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa e da educação que Fulbert lhe dera.
Ofendido, Fulbert decidiu pôr um fim naquilo tudo. Contratou dois carrascos e pagou-lhes para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite e arrancar-lhe o membro viril.
Após essa tragédia Abelardo e Heloísa jamais voltaram a falar-se.
Ela ingressou no Convento de Santa Maria de Argenteuil, em profundo estado de depressão, só retornando à vida aos poucos, conforme as notícias das melhores do seu amado iam surgindo.
Para tentar amenizar a dor que sentiam pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se exclusivamente ao trabalho.
Abelardo construiu uma Escola Mosteiro ao lado da Escola Convento de Heloísa. Viam-se diariamente, mas nunca se falavam. Apenas trocavam cartas apaixonadas.
Abelardo morreu em 1142, com 63 anos de idade. Heloísa ergueu um grande sepulcro em sua homenagem. Faleceu algum tempo depois, sendo, por iniciativa das suas alunas, sepultada ao lado de Abelardo.
Conta-se que, ao abrirem a sepultura de Abelardo para ali depositarem Heloísa, encontraram o seu corpo ainda intacto e de braços abertos, como se estivesse aguardando a chegada de Heloísa.
Em 1817 os restos mortais dos dois amantes foram levados para o cemitério do Padre Lachaise.

Veja a trágica história de amor que ambos viveram.
ABELARDO E HELOÍSA
O romance entre Heloísa e o filósofo Pedro Abelardo iniciou-se em Paris, no período entre o final da Idade Média e o início da Renascença.
Abelardo havia sido recentemente contratado pela Escola Catedral de Notre Dame, tornando-se, em pouco tempo, muito conhecido por admirar os filósofos não cristãos, numa época de forte poder da Igreja Católica.
Heloísa, que já ouvira falar de Abelardo e se interessava pelas suas teorias polémicas, tentou aproximar-se dele através dos seus professores. Mas as suas tentativas foram em vão.Uma tarde, Heloísa saiu para passear com a sua criada Sibyle, e aproximou-se de um grupo de estudantes reunidos em torno de alguém.
O seu chapéu foi levado pelo vento, indo parar precisamente nos pés do jovem que era o alvo das atenções, o mestre Abelardo.
Ao escutar o seu nome, o coração de Heloísa disparou!
Ele apanhou o chapéu e, quando Heloísa se aproximou para o pegar, ele logo a reconheceu como Heloísa de Notre Dame, convidando-a para juntar-se ao grupo.
Risos jocosos foram ouvidos, mas cessaram imediatamente quando os dois se olharam.
Heloísa colocou o seu chapéu, fez uma reverência a Abelardo, e retirou-se.
Desde esse encontro, porém, Heloísa não conseguiu mais esquecer Abelardo.
Fingiu estar doente, dispensou os seus antigos professores, e passou a interessar-se pelas obras de Platão e Ovídio, pelo Cântico dos Cânticos, pela alquimia e pelo estudo dos filtros, essências e ervas.
Ela sabia que Abelardo seria atraído pelas suas actividades e viria até ela.
Quando ficou sabendo dos estudos de Heloísa, conforme previsto por ela, Abelardo imediatamente a procurou.
Abelardo tornou-se amigo de Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa, que logo o aceitou como o mais novo professor da sua sobrinha, hospedando-o em sua casa, em troca das aulas nocturnas que ele lhe daria.
Em pouco tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas, e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert, passaram a ficar a sós.
Fulbert ia dormir, e a criada retirava-se discretamente para o quarto ao lado.
Em alguns meses conheciam-se muito bem, e só tinham paz quando estavam juntos.
Um dia Abelardo tirou o cinto que prendia a túnica de Heloísa, e os dois amaram-se.
A partir desse momento Abelardo passou a desinteressar-se de tudo, só pensando em Heloísa, descuidando-se das suas obrigações como professor.
Os problemas começaram a surgir. Primeiro, esse amor começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto.
Não havia lugar para o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento dos dois, originando um intenso conflito para ambos. Ao mesmo tempo, Sibyle, a criada, adoecera, e uma outra serva que a substituíra encontrou uma carta de Abelardo dirigida a Heloísa, e a entregou a Fulbert, que imediatamente expulsou Abelardo.
No entanto isso não foi suficiente para separá-los.
Heloísa preparou poções para seu tio dormir, e, com a ajuda da criada Sibyle, Abelardo foi conduzido ao porão, local que passou a ser o ponto de encontro dos dois.
Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert acabou por descobri-los.
Heloísa foi espancada, e a casa passou a ser cuidadosamente vigiada.
Mesmo assim o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram a encontra-se onde pudessem: sacristias, confessionários e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia frequentar sem acompanhantes a seu lado.
Heloísa acabou engravidando, e para evitar aquele escândalo, Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, no interior da França.
Ali, Abelardo deixou Heloísa aos cuidados da sua irmã, e voltou a Paris;
mas não aguentou a solidão que sentia longe da sua amada, e resolveu falar com Fulbert para pedir o seu perdão e a mão de Heloísa em casamento.
Surpreendentemente Fulbert perdoou e concordou com o casamento.
Ao receber as boas novas, Heloísa deixando a criança com a irmã de Abelardo, voltou a Paris, sentindo, no entanto, um prenúncio de tragédia.
Casaram-se no meio da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de Notre Dame, sem sequer trocar alianças ou um beijo na frente do sacerdote.
O sigilo do casamento não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa e da educação que Fulbert lhe dera.
Ofendido, Fulbert decidiu pôr um fim naquilo tudo. Contratou dois carrascos e pagou-lhes para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite e arrancar-lhe o membro viril.
Após essa tragédia Abelardo e Heloísa jamais voltaram a falar-se.
Ela ingressou no Convento de Santa Maria de Argenteuil, em profundo estado de depressão, só retornando à vida aos poucos, conforme as notícias das melhores do seu amado iam surgindo.
Para tentar amenizar a dor que sentiam pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se exclusivamente ao trabalho.
Abelardo construiu uma Escola Mosteiro ao lado da Escola Convento de Heloísa. Viam-se diariamente, mas nunca se falavam. Apenas trocavam cartas apaixonadas.
Abelardo morreu em 1142, com 63 anos de idade. Heloísa ergueu um grande sepulcro em sua homenagem. Faleceu algum tempo depois, sendo, por iniciativa das suas alunas, sepultada ao lado de Abelardo.
Conta-se que, ao abrirem a sepultura de Abelardo para ali depositarem Heloísa, encontraram o seu corpo ainda intacto e de braços abertos, como se estivesse aguardando a chegada de Heloísa.
Em 1817 os restos mortais dos dois amantes foram levados para o cemitério do Padre Lachaise.
Sepultura de Abelardo e Heloísa no cemitério do Padre Lachaise.

Morte de Heloísa
Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
PEQUENAS HISTÓRIAS ENTERNECEDORAS
Um dia, o autor e conferencista Leo Buscaglia contou que tinha sido convocado para participar, como jurado, num concurso que se destinava a escolher a “criança especial”.
Foram apuradas várias crianças, dentre as quais foi posteriormente eleita a vencedora.
Eis quatro pequenas histórias que ele contou:
Um menino de 4 anos tinha um vizinho idoso cuja esposa tinha falecido recentemente.
Ao vê-lo chorar, o menino foi para o quintal dele e sentou-se simplesmente no seu colo.
Quando a mãe lhe perguntou o que tinha dito ao velhinho, ele respondeu:
- Nada. Só o ajudei a chorar.
Os alunos da professora do primeiro ano, Debbie Moon, estavam a examinar uma foto de família. Uma das crianças da foto tinha os cabelos de cor bem diferente dos outros.
Alguém sugeriu que essa criança deveria ter sido adoptada. Logo uma menina disse:
- Sei tudo sobre adopção porque eu fui adoptada.
De imediato outro aluno perguntou:
- O que significa “ser adoptado”?
- Significa - disse a menina - que tu cresceste no coração da tua mãe, e não na barriga!
Sempre que estou decepcionado com meu lugar na vida, eu paro e penso no pequeno Jamie Scott. Jamie queria muito ter um papel na peça da escola. A mãe disse que tinha procurado preparar o seu coração, pois ela temia que ele não fosse escolhido.
No dia em que os papéis foram distribuídos, eu fui com ela buscá-lo à escola. Jamie correu para a mãe, com os olhos brilhantes de orgulho e emoção:
- Adivinha, mãe! E disse aquelas palavras, que continuariam a ser uma lição para mim:
- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria!
Conta uma testemunha ocular de Nova York:Num frio dia de Dezembro, há alguns anos, um rapazinho de cerca de 10 anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos, olhando a montra e tremendo de frio.
Uma senhora aproximou-se do rapaz e disse:
- Porque estás a olhar para essa montra com um ar tão pensativo?
- Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos - respondeu o garoto.
A senhora segurou-lhe na mão, entrou na loja e pediu ao empregado para dar meia dúzia de pares de meias ao menino. Em seguida perguntou ao empregado se poderia arranjar-lhe uma bacia com água e uma toalha.
Amavelmente o empregado satisfez o seu pedido.
Ela levou o menino para a parte de trás da loja e, ajoelhando-se, lavou os pequenos pés e secou-os com a toalha.
Entretanto o empregado já tinha trazido as meias.
Ela calçou-as nos pés do garoto. Comprou-lhe também um par de sapatos, e calçou-lhos.
Depois entregou-lhe os outros pares de meias e carinhosamente, perguntou:
- Então? Agora já te sentes mais confortável…
Dizendo isto voltou-se para ir embora quando o menino lhe segurou na mão.
Olhando o seu rosto, com lágrimas nos olhos, perguntou:
- A senhora é a mulher de Deus?
Leo Buscaglia31.03.1924 – 12.06.1998
Leo Buscaglia (Felice Leonardo Buscaglia) ítalo-americano foi professor na Universidade do Sul da Califórnia, USA.
Foi o escritor que mais se dedicou a escrever sobre o Amor, exaltando as ideias de se viver o momento, expressar o Amor que se sente por alguém, e não criar demasiadas expectativas.
Idealizou um curso sobre Amor na própria Universidade.
"Tanto quanto sei, somos a única escola no país, e talvez no mundo, que tem uma disciplina chamada "Amor, 1 A", e eu o único professor bastante louco a ponto de ensiná-la"''
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