A PRÓXIMA POSTAGEM SERÁ NO DIA 16 DE DEZEMBRO
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

DIA DA MÃE

Como se aproxima o “Dia da Mãe”, que em Portugal se festeja no primeiro domingo de Maio, ou seja, no próximo domingo, partilho convosco um texto que acho delicioso, e que é a homenagem deste blog a todas as Mães.
Na sexta feira publicarei um poema, também de homenagem às Mães, no meu blog “Lírios”.
E no domingo será a vez do blog-mãe “Casa da Mariquinhas” homenagear todas as Mães, de Portugal e não só.

E agora um pequenino conto:

PEQUENOS ANJOS

Era uma vez uma criança pronta para nascer...


- Meu Deus, é verdade o que me dizem? Que amanhã Tu me enviarás para a terra? Mas como vou poder viver lá? Sou tão pequeno e indefeso…


Deus respondeu:

- Dentre todos os anjos, escolhi um especialmente para ti. Ele te atenderá e vai tomar conta de ti.

- Mas... - disse a criança. Aqui no Paraíso eu não faço outra coisa a não ser cantar e sorrir... Tenho necessidade disto para ser feliz...

Deus disse:
- A cada dia, o teu Anjo cantará para ti. Sentirás o seu amor e serás feliz, criança...

A criança continuou...
- Como poderei compreender o que me dizem se não conheço a lingua deles?
- É fácil, respondeu Deus, o teu Anjo te dirá as mais doces, as mais maravilhosas palavras... E com muita paciência e delicadeza, o teu Anjo te ensinará a falar...

A criança olhou para Deus e disse:
- E como vou fazer quando quiser falar Contigo?

Deus sorriu para a criança dizendo-lhe:
- O teu Anjo te mostrará como juntar as mãos e te ensinará a rezar.

A criança insistiu:
- Ouvi dizer que na Terra existem homens maus… Quem me protegerá?

Com muita ternura, Deus respondeu:
-O teu Anjo te defenderá ainda que seja com risco da sua própria vida!

A criança ficou triste e disse:
- Mas eu serei sempre infeliz por não Te ver mais...

Deus abraçou a criança, dizendo -lhe
-O teu Anjo te falará de mim e te ensinará o caminho para voltares a mim, mas estarei sempre ao teu lado.

Reinou no céu, nesse momento, uma grande Paz. Vozes se ouviram
vindas da Terra...

Sentindo o tempo esgotando-se, a criança perguntou:
- Oh! Meu Deus, estou pronto para partir, mas por favor diz-me o nome do meu Anjo!!!
Deus respondeu:

- O nome do teu Anjo não tem importância, minha criança. Tu o chamarás simplesmente...
MAMÃ!

Mike Sharobim

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A LENDA DAS AMENDOEIRAS

Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos mouros, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.
Era uma pessoa encantadora, a quem todos chamavam a "Bela do Norte". Por isso não admira que o rei, de tez acobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.
Apesar das festas que houve à data do casamento, uma tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do marido faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a "Bela do Norte" tinha saudades da sua terra.
O rei conseguiu, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.
O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:
- Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!
Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

- Vede - disse-lhe o rei sorrindo - como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!
A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente desapareceu, e Gilda sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que a adorava. E, todos os anos, no início da Primavera, ela via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe lembravam os campos cobertos de neve, como na sua terra.
É por isso - dizem - que, no Algarve, abundam as amendoeiras.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A LENDA DA SAMARITANA

Reza uma lenda encantada que uma mulher de grande formosura foi ao poço de Jacó…

Naquele tempo Jesus encontrava-se a braços com a missão de unir as tribos dispersas de Israel, começando por reunir os judeus com os samaritanos e galileus num reino messiânico único.
Para cumprir esse desígnio era-lhe necessário passar por Samaria; e assim chegou a uma cidade chamada Sicar, junto à herdade que Jacó dera a seu filho José.
Ali se encontrava um poço, conhecido pelo “poço de Jacó”.

Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto ao poço, era cerca de meio-dia, enquanto os seus discípulos iam à cidade comprar comida.
Alguns momentos depois, Jesus viu acercar-se uma mulher de Samaria, que vinha buscar água ao poço. Era lindíssima!
E Jesus disse-lhe:
- Dá-me de beber.
Respondeu-lhe a mulher samaritana, de seu nome Madalena:
- Como, sendo tu judeu, me pedes de beber, a mim, que sou mulher samaritana? (os judeus não se comunicavam com os samaritanos.)
Jesus retorquiu:
- Se conhecesses o dom de Deus e soubesses quem é que te diz “ dá-me de beber”, tu me terias pedido e eu te daria água viva.
Disse-lhe a mulher:
- Senhor, tu não tens com que tirá-la, e o poço é fundo; onde vais então arranjar essa água viva? És tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e também os seus filhos, e o seu gado?
Replicou-lhe Jesus:
- Todos os que beberem desta água voltarão a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele em uma fonte de água que jorra para a vida eterna…
A mulher suplicou:
- Senhor, dá-me dessa água, para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui tirá-lo do poço.
Disse-lhe Jesus:
- Vai chamar o teu marido e venham cá os dois.
Ao que a samaritana respondeu:
- Não tenho marido.
- Disseste bem, não tens marido – ripostou Jesus. Porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade.
Então Maria Madalena, estupefacta, exclamou:
- Senhor, vejo que és profeta!
E, dizendo isto, Madalena foi-se acercando de Jesus, segurando-lhe nas mãos.

Jesus, perturbado com a presença assim próxima duma mulher tão bela, não resistiu e docemente depositou nos seus lábios um ardente beijo.

Ao ouvir as vozes dos discípulos que regressavam da cidade com a comida, Madalena colocou o cântaro na cabeça e afastou-se rapidamente.


Com base neste lendário episódio o poeta açoriano Eduardo Bettencourt compôs o poema que se segue, e que deu origem ao belíssimo Fado de Coimbra que está ouvindo.
Para quem não sabe, este fado estava proibido pela censura durante a vigência do Estado Novo (regime de Salazar), o que significa que não podia ser transmitido na rádio nem cantado em locais públicos.
Contudo cresci a ouvir a minha Mãe cantá-lo, em casa, é claro. Talvez por isso tenho um carinho especial por ele.

SAMARITANA

Dos amores do redentor
Não reza a história sagrada,
Mas diz uma lenda encantada
Que o bom Jesus sofreu de amor

Sofreu consigo e calou
Sua paixão divinal
E assim como qualquer mortal
Um dia de amor palpitou

Samaritana plebeia de Sicar
Alguém espreitando
Te viu Jesus beijar
De tarde quando
Foste encontrá-lo só
Morto de sede, junto à fonte de jacó

E tu, risonha, acolheste
O beijo que te encantou
Serena empalideceste
Jesus Cristo corou
Corou por ver quanta luz
Irradiava da tua fronte
Quando disseste Oh bom Jesus
Que bem eu fiz Senhor em vir à fonte.

Samaritana, plebeia de Sicar…

Texto meu, resultante de várias consultas na Net.
Imagens da Net.

quarta-feira, 17 de março de 2010

TAJ MAHAL

Baber, o grande descendente de Gengis Kahn, invadiu a Índia em 1.565, trazendo o seu povo guerreiro da Ásia Central.
Os Moghul, de sangue mongol, de religião islâmica, e de cultura e língua persa, criaram na Índia um império de glória e elegância.
O Imperador Shah-Jahan foi o genial edificador dessa dinastia.

Shah-Jahan viveu um sonho de amor quase irreal.
Ele amou e desposou Arjumand Banu Begun, que mais tarde se tornaria imortal com o nome de Muntaz-Mahal.

Sem qualquer explicação aparente, de um momento para o outro, todas as trezentas mulheres que compunham o harém deixaram de interessar a Shah-Jahan. Ele não queria saber de mais ninguém para além de Arjumand, que era jovem, linda e inteligente.
Shah-Jahan e a bela Arjunabd casaram e tiveram 13 filhos.

Como Imperatriz, revelou-se excelente conselheira do marido nas complicações sobre questões de Estado.
Tornou-se querida do povo pela sua caridade e a sua dedicação ao Imperador.
O príncipe não queria saber de mais ninguém.

Quando o 14º filho de Shah-Jahan e Arjumand estava nascendo, ela não suportou as dores do parto e morreu.
O príncipe entrou em desespero e quase morreu também, de tristeza e desgosto.
Deixou para sempre as vestes reais e nunca mais abandonou o luto.
A sua vida passou a ser apenas desolação e lágrimas amargas.
Reza a história que, em apenas três meses, a sua barba negra embranqueceu completamente.

Para abrigar o corpo morto da sua amada, ele decidiu construir um palácio.
Mandou comprar os melhores mármores e encomendou rubis e jades para decorar o mais belo túmulo que alguém poderia ter.
Mandou vir os mais famosos arquitectos e artistas do império persa e mongol para a construção do Monumento, que veio representar todo o seu amor por Mumtaz-Mahal:
O “TAJ MAHAL”.
Vinte mil trabalhadores estiveram ocupados durante anos para erguê-lo.
Ordenou que se construísse o túmulo para a bem-amada segundo as seguintes orientações:
"Que não seja fúnebre, pois deverá celebrar a curta vida de um amor.
A sua beleza e graça hão de recordar eternamente a mulher, sem envelhecer.

Será um sonho de mármore edificado na fronteira delicada entre o real e o irreal, como a própria paixão".

O Taj Mahal foi edificado em Agra, quando a cidade era a capital do império Mongol, entre os séculos XVI e XVIII.
Demorou 22 anos para ser construído e ficou pronto em 1653.
Considerado um monumento ao amor, a sua construção é admirada no mundo inteiro.
Devido ao revestimento em mármore branco, o prédio pode ser visto a mais de 40 quilômetros de distância e nas noites de céu limpo reflete o brilho da lua.

Shah Jahan resolveu então construir um novo palácio, onde ele próprio seria enterrado.

Mas seus filhos não deixaram o príncipe cometer mais essa loucura e prenderam-no numa fortaleza.
Quando ele morreu, foi enterrado no Taj Mahal, ao lado do seu amor.
Shah-Jahan e Arjumand Begun dormem juntos para sempre no mais lindo palácio do mundo.

A simplicidade do desenho e a sumptuosidade da realização misturam-se numa maravilha de arte que compete, em matéria de sublime beleza, com os templos gregos e as mais famosas catedrais da Idade Média e do renascimento.

Um comprido espelho d' água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam.

Quatro torres laterais protegem a construção.

Ao centro, o grande palácio de mármore branco.

Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém o tivesse soprado do seu interior.

Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal.
As duas pequenas lembram grandes turbantes árabes.
O enorme Taj Mahal parece que vai desprender-se da terra e voar como um tapete mágico.


Texto adaptado de informações colhidas na Internet
Imagens: Internet e outras fontes

quarta-feira, 3 de março de 2010

DECIDI SAIR COM OUTRA MULHER

Recebi de pessoa amiga, há muito tempo, em forma de PPS , com a indicação de que se tratava de um caso real.
Não posso afirmar que o seja, mas, no fundo, o que é que isso importa?
Decida por si mesmo…

DECIDI SAIR COM OUTRA MULHER

Depois de 21 anos de casado, descobri uma nova maneira de manter viva a chama do amor.
Há pouco tempo decidi sair com outra mulher.
Na realidade a ideia foi da minha esposa.
- Tu sabes que a amas - disse, um dia, a minha esposa, de surpresa.
A vida é muito curta e deves dedicar um tempo especial a essa mulher - completou ela.
A outra mulher a quem a minha esposa se estava a referir, era a minha mãe, uma senhora viúva há 19 anos. As exigências do meu trabalho e os meus filhos faziam com que eu apenas a visitasse ocasionalmente.
Nessa mesma noite eu convidei-a para jantar e ir ao cinema.

- O que é que tens? Está tudo bem contigo? - perguntou-me ela após o convite.
(A minha mãe é do tipo de pessoas para quem um telefonema tarde, ou um convite surpresa é indicio de más noticias).
- Pensei que seria agradável passarmos algum tempo só nós dois - respondi.
Ela reflectiu um momento e disse sorrindo:
- Isso ia me agradar muitíssimo!
Uns dias depois fui busca-la, depois do meu trabalho. Estava um tanto ansioso...uma ansiedade que antecede um primeiro encontro...
E que coisa interessante... Pude notar que ela estava muito emocionada. Esperava-me na porta. Tinha feito um penteado especial e usava o vestido com que celebrou o seu último aniversário de bodas.
O seu rosto irradiava luz, como um anjo!

- Eu disse às minhas amigas que ia sair contigo, e elas ficaram muito impressionadas... - comentou ela enquanto subia para o carro.


Fomos a um restaurante não muito elegante, mas muito aconchegante.
A minha mãe agarrou-se ao meu braço como se fosse a primeira dama.
Quando nos sentamos, tive de ler o menu para ela.
A minha mãe, que estava sentada do outro lado da mesa e me olhava fixamente, disse com um sorriso nostálgico nos lábios:
- Era eu quem lia o menu quando eras pequeno.
- Então é hora de relaxar e me permitir devolver o favor - respondi.

Durante o jantar tivemos uma agradável conversa. Nada de extraordinário, apenas colocando a vida em dia. Falamos tanto que perdemos a hora do cinema.

- Sairei contigo novamente só se me permitires que eu pague da próxima vez - disse a minha mãe quando a fui levar em casa.
Eu concordei.

- Como foi o encontro? - perguntou a minha esposa, ansiosa.
- Muito agradável. Muito mais do que eu poderia imaginar! - respondi.

Umas semanas mais tarde a minha mãe faleceu de um enfarte fulminante.
Tudo foi tão rápido, que não pude fazer nada.

Uns tempos depois, recebi do restaurante onde havíamos jantado, um envelope com cópia de um cheque e uma nota que dizia:
- O jantar que teríamos, paguei antecipado. Estava quase certa de que eu poderia não estar ali contigo e, por isso, paguei e quero que vás com a tua esposa.
Jamais poderás entender o que aquela noite significou para mim.
Que seja sempre assim.
Amo-te!

Nesse momento compreendi a importância de dizer
“EU AMO-TE”, e de dar aos nossos entes queridos o espaço que merecem.

Nada na vida será mais importante que as pessoas que amamos.

Dedica o teu tempo a elas porque, talvez, elas não possam esperar...
Reflecte e vê como tens dividido o teu tempo.

Será que tens dedicado uma parte do teu tempo às pessoas que amas?

Faz isso antes que seja tarde demais..
ELAS PODERÃO ENSINAR ALGO EM QUE NUNCA PENSASTE.
ESSAS COISAS , GERALMENTE, DÃO UMA QUANTIDADE ENORME DE SATISFAÇÃO E ALEGRIA.
ACREDITA!!!
É REAL!!!


“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...”

(Renato Russo)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

UMA FÁBULA SOBRE A FÁBULA

Quando Deus criou a mulher, criou também a Fantasia.

Um dia, a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harum Al-Raschid.
Envoltas as lindas formas num véu claro e transparente, foi bater à porta do rico palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Verdade – respondeu ela com voz firme. Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harum Al-Rashid, o sheik do Islão.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir:
- Senhor – disse, inclinando-se humilde – uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Rashid, Príncipe dos Crentes.
- Como se chama?
- Chama-se A Verdade.
- A Verdade? – exclamou o grão-vizir, subitamente assaltado de grande espanto. A Verdade quer penetrar neste palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? A perdição, a nossa desgraça! Diz-lhe que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!
O chefe dos guardas voltou com a resposta do grão-vizir e disse à Verdade:
- Não podes entrar, minha filha. A tua nudez iria ofender o nosso califa. Com esses ares impudicos não poderás ir à presença do Príncipe dos Crentes, o nosso glorioso sultão Harum Al-Rashid. Volta, pois, pelos caminhos de Alá!
Vendo que não conseguia realizar o seu intento a Verdade ficou muito triste, e afastou-se lentamente do grande palácio do magnânimo sultão Harum Al-Rashid, cujas portas se fecharam à diáfana formosura.

Mas… Allahur Akbar! (Deus é grande!)

Quando Deus criou a mulher também criou a Obstinação.
E a Verdade continuou a alimentar o seu propósito de visitar um grande palácio. E tinha que ser o palácio onde morava o sultão Harum Al-Rashid.
Cobriu as suas lindas formas com um couro grosseiro como os que usavam os pastores, e foi novamente bater à porta do sumptuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas.
Ao ver aquela formosa mulher grosseiramente vestida com peles, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Acusação – respondeu ela, em tom severo. Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harum Al-Rashid, Comendador dos Crentes.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu a entender-se com o grão-vizir:
- Senhor – disse, inclinando-se humilde – uma mulher desconhecida, o corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano, o sultão.
- Como se chama ela?
- A Acusação!
- A Acusação? – repetiu o grão-vizir, aterrorizado. A Acusação quer entrar neste palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse? A perdição, a desgraça!
Diz-lhe que não, não pode entrar. Diz-lhe que uma mulher, sob as vestes grosseiras de um zagal, não pode falar ao Califa, nosso amo e senhor.
Voltou o chefe dos guardas com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade:
- Não podes entrar, minha filha. Com essas vestes grosseiras, próprias de um beduíno rude e pobre, não poderás falar ao nosso amo e senhor, o sultão Harum Al-Rashid. Volta, pois, em paz, pelos caminhos de Alá!
Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, a Verdade ficou ainda mais triste. Afastou-se vagarosamente do grande palácio, cuja cúpula cintilava aos últimos clarões do sol poente.

Mas… Allahur Akbar! (Deus é grande!)

Quando Deus criou a mulher criou também o Capricho.
E a Verdade encheu-se do vivo desejo de visitar um grande palácio.
E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harum Al-Rashid.
Vestiu-se com riquíssimos trajes, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto num manto diáfano de seda, e foi bater à porta do palácio em que vivia o senhor dos Árabes.
Ao ver aquela encantadora mulher, linda como a quarta lua do mês do Ramadão, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Fábula – respondeu ela, em tom meigo e mavioso. Quero falar ao vosso amo e senhor, Emir dos Árabes.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu, radiante, a falar com o grão-vizir:
- Senhor – disse inclinando-se, humilde – uma linda mulher, vestida como uma princesa, solicita audiência do nosso amo e senhor, o sultão Emir dos Crentes.
- Como se chama?
- Chama-se A Fábula.
- A Fábula? – exclamou o grão-vizir, cheio de alegria. A Fábula quer entrar neste palácio! Alá seja louvado! Que entre! Bem vinda seja a encantadora Fábula. Cem formosas escravas irão recebê-la com flores e perfumes. Quero que a Fábula tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!
E, abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou.
E foi assim, sob o aspecto de Fábula, que a Verdade conseguiu aparecer ao poderoso califa de Bagdá, o sultão Harum Al-Rashid, vigário de Alá, e senhor do grande império muçulmano.

Lenda árabe

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A LENDA DO ARCO-ÍRIS


Existem muitas lendas que se referem ao arco-íris, na sua maioria fruto do folclore ou da criatividade poética e artística, inspirando obras como o filme musical “O feiticeiro de Oz” com a lindíssima canção “Over the Rainbow”, que pode escutar aqui enquanto lê, bastando, para tanto, ligar o som.
Antigamente cria-se que este fenómeno óptico era um sinal divino, uma ponte que unia o céu à terra, ou seja, que unia o plano físico ao espiritual, crença que perdura até hoje nalguns locais.
Entre a fé, a lenda e a realidade esse fenómeno é também conhecido por arco-celeste, arco-da-aliança, arco-da-chuva e arco-da-velha.

Não vou aqui debruçar-me sobre os aspectos científico-naturais dum fenómeno que a todos agrada ver, pelas lindas cores que ostenta.
Vou antes contar-vos duas das muitas lendas que existem acerca do arco-íris, que considero particularmente bonitas.
Hesitei muito entre as duas, e, tal como Marco Paulo, não sabendo de qual gosto mais… optei por publicar as duas.


Havia, num reino distante, uma menina muito sonhadora, que se chamava Esperança.
Sonhava e acreditava que tudo era colorido, e por isso a vida era maravilhosa.
Nascera fruto de uma noite de desejo do senhor seu Pai e de uma loucura da senhora sua Mãe. Como carinho recebeu a “distância”; como afecto a “ausência”; e como aconchego o “abandono”. Mas isto não a fazia descrer das cores da vida, nem fazia diminuir a sua confiança nas pessoas. Imaginava que todos os homens eram de carácter nobre. Por isso, chegada a idade própria, casou-se.
Mas o “grande homem” que ela pensava ser aquele com quem se casou, veio a revelar-se um algoz que tudo fez para a maltratar, acabando por querer roubar-lhe os filhos.

Esperança começou a ver a vida menos colorida, e as pessoas menos nobres do que ela imaginara.
Via agora com outros olhos o reino onde vivia. Por onde passava apercebia-se que havia muita dor; aquele reino maltratava muito os seus filhos.
Esperança chorava. Quase perdeu a fé em si mesma e nos outros. Já mal acreditava no Amor, e quase nunca sonhava.

Um dia, exausta e desiludida, Esperança não acordou mais para a vida.
Nesse dia choveu como se a chuva fossem lágrimas. Parecia que os céus lamentavam a partida de alguém que sonhara.

O Deus Sereno, que era o deus do reino, não querendo que a lembrança de Esperança se apagasse, resolveu homenageá-la.
Ordenou que todas as lágrimas que caíssem, toda a água que chovesse, toda e qualquer gota de água que se movimentasse na luz, se transformassem em água de muitas cores.

A partir daí, as águas que se movimentam na luz, passaram a gerar um lindo arco-íris, fazendo recordar a menina sonhadora que adorava ver as cores no mundo, e se chamava Esperança.

E para que ninguém a deixe morrer, e ela esteja sempre presente, mesmo nos momentos de maior tristeza da alma; para que ela esteja lá a renovar-se e a propor um novo dia cheio de fé, surge o ARCO-ÍRIS.





Em tempos remotos os ciganos foram perseguidos e massacrados em todo o mundo.
O seu desespero era grande, pois eles odiavam guerras, e em vez de armas preferiam transportar o seus violinos, dançar e cantar alegres canções.
Era enorme o seu desejo de liberdade, por isso os ciganos eram nómadas.
Cansada de fugir e chorar as perdas de parentes e amigos, uma bela cigana, grávida, ao ver o arco-íris, invocou-o, pedindo salvação para o seu povo. Fê-lo com toda a devoção e fervor, pensando no filho que carregava no ventre, e que, em breve, iria nascer no meio de toda aquela violência e miséria.
A mulher, ajoelhada e chorando copiosamente, esperava uma resposta do arco-íris, quando se apercebeu que as cores que ela fitava começavam a brilhar com mais intensidade, alternando-se rapidamente.

Limpou as lágrimas, pensando estar a imaginar fantasias; mas, mais serena, verificou que não era fantasia, as cores estavam mesmo a alternar-se, como se fossem pequenos sinos emitindo sons divinos.

Sentiu dentro de si uma enorme paz; segurou com as mãos o ventre que guardava o filho, e rogou ao arco-íris que acabasse com a situação do seu povo.

De súbito ouviu uma voz emanando das cores do arco-íris dizendo-lhe para ter calma, e garantindo-lhe que não perderia o filho que ela guardava no seu ventre como um tesouro. A voz acrescentou:
“Essa criança fará com que as minhas cores ganhem vida nas suas mãos e receberá, para si e todas as gerações vindouras, muitas moedas de ouro, pois vou lhe oferecer o pote encantado que trago comigo, assim como toda a sua magia.

Com o verde ele levará a esperança e a fartura; com o vermelho, a vida, o entusiasmo e o vigor; com o amarelo, a realeza e a riqueza; com o azul, a serenidade e a intuição; com o laranja, a energia, a vitalidade e a emotividade; com o violeta levará a transmutação e a perseverança; com o rosa o amor, a beleza, a moralidade e a música”.

A lenda cigana espalhou-se pelo mundo, levada pelo encanto das roupas coloridas desse povo, pela magia das suas danças, pela sua atracção pelo ouro e pela crença de que existe um pote de ouro inesgotável para além do arco-íris.

O arco-íris foi sempre símbolo de uma nova esperança, já que ele se projecta no céu logo após uma tempestade.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A CARTEIRA

Perdoem-me por um texto tão longo, mas achei esta história tão bonita que não resisti a partilhá-la convosco.
Boa leitura!
A CARTEIRA

Eu voltava para casa, num dia muito frio, quando tropecei numa carteira. Procurei algum meio de identificar o dono. Mas a carteira só continha três dólares e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali durante muitos anos.
No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente.
Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica. Então vi o cabeçalho. A carta tinha sido escrita quase sessenta anos antes.
Tinha sido escrita com uma bonita letra feminina em azul claro sobre um papel de carta com uma flor no canto esquerdo. A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com Michael, mas ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria.
Assinado: Hannah
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo (com exceção do nome de Michael) de identificar o dono.
Entrei em contacto com a compnhia telefónica, expliquei o problema à operadora e pedi-lhe o número do telefone do endereço que havia no envelope.
A operadora disse que havia um telefone mas não poderia dar-me o número. Por sua própria sugestão, entrou em contato com o número, explicou a situação e fez uma conexão daquele telefone comigo.
Eu perguntei à senhora do outro lado se ela conhecia alguém com o nome de Hannah. Ela respondeu:
- Ah! Nós compramos esta casa a uma família que tinha uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há 30 anos!
- E a senhora saberia onde aquela família pode ser localizada agora? – perguntei.
- Tanto quanto me lembro, aquela Hannah teve que colocar sua mãe num lar de idosos há alguns anos - disse a mulher. Talvez se você entrar em contacto eles possam informar.
Deu-me o nome do lar e eu liguei. De lá contaram-me que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás, mas eles tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo.
Agradeci-lhes e telefonei. A mulher que atendeu explicou que aquela Hannah estava morando agora num lar de idosos.
- Isto começa a parecer-me estúpido - pensei comigo mesmo. Para que estava eu fazendo aquele movimento todo só para achar o dono de uma carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos?
Apesar disto, liguei para o lar no qual era suposto que Hannah estivesse vivendo. O homem que atendeu disse-me:
- Sim, a Hannah está morando connosco.
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se poderia ir lá para a ver.
- Bem – disse ele, hesitante - se você quiser se arriscar, ela talvez esteja na sala assistindo à televisão.
Eu agradeci e corri para o lar. A enfermeira nocturna e um guarda cumprimentaram-me à porta. Fomos até ao terceiro andar. Na sala, a enfermeira apresentou-me a Hannah. Era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso calmo e um brilho no olhar.
Falei-lhe da carteira e mostrei a carta. Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo e disse:
- Esta carta foi o último contacto que tive com Michael.
Parou um momento, a pensar, e então disse suavemente:
- Eu amei-o muito. Mas na ocasião eu tinha só 16 anos e a minha mãe achava que eu era muito jovem. Oh, ele era tão bonito! Parecia-se com Sean Connery, o actor.
- Sim - continuou. Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa. Se você o encontrar diga-lhe que eu penso frequentemente nele. E… - ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio: diga-lhe que eu ainda o amo.
Você sabe - disse ela sorrindo com lágrimas que começaram a rolar nos seus olhos - eu nunca me casei. Jamais encontrei alguém que correspondesse ao Michael…
Agradeci a Hannah e disse-lhe adeus.
Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou:
- A velha senhora pôde ajudá-lo?
- Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho que vou deixar isto para depois. Passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira.
Quando o guarda viu a carteira, disse:
- Hei, espere um minuto! Essa é a carteira do Sr. Goldstein. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele está sempre a perder a carteira. Eu devo tê-la achado pelos corredores pelo menos umas três vezes.
- Quem é o Sr. Goldstein? - perguntei, com a minha mão começando a tremer.
- É um dos idosos do 8º andar. Isso é a carteira de Mike Goldstein, sem dúvida. Ele deve tê-la perdido num dos seus passeios.
Agradeci ao guarda e corri ao gabinete da enfermeira.
Contei-lhe o que o guarda tinha dito. A enfermeira e eu voltamos para o elevador e subimos.
No oitavo andar ela disse:
- Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta de ler à noite. É um homem bem velho.
Fomos até ao único quarto que ainda tinha luz e lá estava um homem lendo um livro. A enfermeira foi até ele e perguntou-lhe se tinha perdido a carteira.
O Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse:
- Oh, está perdida!
- Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua.
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio e disse:
- Sim, é minha! Devo tê-la deixado cair hoje à tarde.
Eu quero lhe dar uma recompensa.
- Não, obrigado – respondi. Mas eu tenho que lhe contar algo: eu li a carta na esperança de descobrir o dono da carteira.
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
- Você leu a carta?
- Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah está.
Ele ficou pálido de repente.
- Hannah? Você sabe onde ela está? Como está ela? É ainda tão bonita quanto era? Por favor, por favor diga-me - implorou.
- Ela está bem... E bonita da mesma maneira como quando o senhor a conheceu - respondi suavemente.
O homem sorriu e perguntou:
- Você pode me dizer onde ela está? Quero telefonar-lhe amanhã. Agarrou a minha mão e disse:
- Eu estava tão apaixonado por aquela menina que quando aquela carta chegou, a minha vida literalmente terminou. Eu nunca me casei. Eu sempre a amei.
- Sr. Goldstein – disse eu. Venha comigo.
Fomos de elevador até ao terceiro andar. Atravessamos o corredor até à sala onde Hannah estava assistindo à televisão. A enfermeira caminhou até ela.
- Hannah - disse suavemente, enquanto apontava para Michael, que estava esperando comigo na entrada – você conhece este homem?
Ela ajeitou os óculos, olhou um momento, mas não disse uma palavra. Michael disse suavemente, quase num sussurro:
- Hannah, é o Michael. Lembras-te de mim?
- Michael! Eu não acredito nisto! Michael! És tu! Meu Michael!
Ele caminhou lentamente até junto dela e abraçaram-se.
A enfermeira e eu partimos com lágrimas nos olhos.
- Veja – disse eu. Veja como o bom Deus trabalha! O que tiver que ser, será!
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do lar no meu escritório.
- Você pode vir no domingo para assistir a um casamento? O Michael e Hannah vão se casar!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do lar devidamente vestidas para a celebração.
Hannah usou um vestido bege, claro e bonito. Michael usou um fato azul escuro.
O lar deu-lhes o próprio quarto e se você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha que ver este par!


Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos.

Autor (a) do texto: Desconhecido

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

PRESERVAÇÃO DA NATUREZA

Proponho-vos que comecemos (e continuemos) o ano pensando na preservação da Natureza.
Ela, e todas as Mães do mundo, vão agradecer-nos.
As imagens que se seguem falam por si, dispensam apresentações.





















quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

MENSAGEM DE ANO NOVO

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ANO NOVO
Querido e esperado Ano Novo.
Faço parte das muitas Marias esperanças deste imenso mundo que tens pela frente e te saúdo:
– Sejas bem-vindo!
Terás muito trabalho e espero que estejas preparado.
Temos um solo fértil onde tudo que se planta se colhe, mas precisas saber que ele não está tão fértil. O homem tem destruído as riquezas naturais com as queimadas, o uso exagerado de agrotóxicos e outras atrocidades. Sem contar a roda do aquecimento global, que durante o teu mandato, entenderás melhor.
Verás um céu azul, mas não tão azul, pois todos os dias são lançados no ar gases e fumaças poluentes que escondem boa parte do céu, mas ainda conseguimos ver o arco-íris e o gigantesco sol, este está se tornando cada vez mais gigantesco, por causa do aquecimento global.
Encontrarás muita água doce, mas não muito doce, porque todos os dias são jogados toneladas de lixos e materiais poluentes nos rios e seus afluentes. Não imaginas a quantidade de peixes que morrem, daria para alimentar muita gente que também morre de fome neste mundo.
Terás uma floresta de árvores nativas e de animais de espécies variadas, mas sentirás a falta de muitas delas, pois, as motoserras são usadas para decepar-lhes a vida, e muitos animais já estão em extinção, sabes por quê?
- Porque os homens querem domesticá-los e quando isso se torna impossível, matam por mero prazer, acentuando-se quem são os verdadeiros animais irracionais. Não sei se estás conseguindo me entender, mas em pouco tempo entenderás.
Verás muitas crianças, mas infelizmente muitas delas foram abortadas e jogadas no lixo, outras lutaram contra o aborto e conseguiram nascer, mas foram jogadas vivas nos rios, sarjetas, esgotos ou num canto qualquer e outras morreram nas ruas causticantes das cidades grandes.
Encontrarás muitos homens, mas nem todos, porque eles matam uns aos outros, temos até homem-bomba que se submete a morrer para matar centenas de pessoas. Ah! Que tristeza!
Encontrarás saúde, mas ainda assim, morrem todos os dias homens, mulheres e crianças, vítimas do descaso social.
Ainda temos a ESPERANÇA. Embora, a cada ano, ela morra um pouco dentro de cada um de nós.
A única certeza que temos é a presença de DEUS, este sim, não mudou e continua acreditando em nós e acreditará em ti.
Não te contei tudo isso para que fiques desanimado e sim para nos encorajar e nos ajudar a preservar o que temos e criar um mundo melhor.
Que consigas com tua força, realizar todos os nossos sonhos.

SILVIA TREVISANI


Silvia Cristina Martins Trevisani
(Poetisa paulista)
Campinas/SP – Brasil

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

LENDA DA ÁRVORE DE NATAL

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A tradição da Árvore de Natal é bem antiga (segundo ou terceiro milénio A.C.), quando povos indo-europeus consideravam as árvores uma expressão da energia de fertilidade da Natureza, e por isso lhes rendiam culto

São inúmeras as lendas que existem sobre a origem da Árvore de Natal.
Acho particularmente bonita uma lenda de origem inglesa, que reza mais ou menos assim:
Quando nasceu o Menino Jesus toda a Natureza se alegrou. Pessoas, animais e até árvores e flores se sentiram felizes.
No exterior do estábulo onde o Menino dormia existiam três árvores:
Uma palmeira, uma oliveira e um pequeno pinheirinho.
Todos os dias as pessoas passavam e deixavam presentes ao Menino.
As árvores, falando entre si, entenderam que também elas deveriam oferecer-Lhe algo.
- Eu vou oferecer-Lhe a minha folha mais larga – disse a palmeira. Assim, quando chegar o calor, Ele pode abanar-se com ela e sentir-se mais fresco.
- Pois eu vou dar-Lhe óleo – atalhou a oliveira. Óleos perfumados podem ser feitos a partir do meu sangue, e com eles o Menino sentir-se-á mais confortável.
O pinheirinho ouvia-as em silêncio. Com um ar muito triste perguntou:
- E eu? Que posso eu oferecer-Lhe? Não tenho nada que possa ser útil…
- Tu?- responderam as outras duas. As tuas folhas são aguçadas e picam. Tu não tens mesmo nada para oferecer…
O pequeno pinheirinho ficou muito triste. Pensou, pensou, mas não descobria nada para oferecer ao Menino, qualquer coisa de que Ele pudesse gostar…
Então um anjo, que tinha ouvido a conversa toda, sentiu pena da arvorezinha que não tinha nada para dar ao Menino.
O anjo olhou para o céu e viu que as estrelas brilhavam intensamente.
Uma a uma, de mansinho, o anjo trouxe-as para baixo, e colocou-as nos ramos pontiagudos do pinheiro.
Dentro do estábulo o Menino acordou e olhou para as três árvores que se encontravam à entrada da gruta, recortando-se no céu escuro.
De repente as folhas negras do pinheiro brilharam, resplandecentes, porque nelas descansavam as estrelas.
Como estava lindo o pinheiro que não tinha nada para oferecer ao Menino!
Então, o Menino Jesus levantou as mãozinhas, como fazem todos os bebés, e sorriu para aquela árvore que lhe iluminava a escuridão da noite.
Desde esse momento o pinheiro ficou a ser, para todo o sempre, a Árvore de Natal.

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

LENDA DA FONTE DA PEDRA

Alvoco da Serra

Alvoco da Serra é uma povoação que fica na Serra da Estrela, entre Unhais da Serra e Loriga, a 740 metros de altitude.
Em Alvoco há um troço de calçada romana junto à rua principal.

Ponte romana

Os monumentos megalíticos que ali existem em profusão são prova de que a povoação já existia nos tempos de Viriato e, provavelmente, em eras anteriores.
Daí que seja credível a lenda que conta a passagem da Sagrada Família por aquelas paragens, a chamada

Lenda da Fonte da Pedra

Reza a história que quando Herodes perseguiu S. José, Nossa Senhora e o Menino Jesus eles fugiram para o Egipto.
Na sua fuga acabaram por vir ter a Alvoco da Serra. Ao atravessar a serra Nossa Senhora, sentindo-se muito cansada, quis fazer uma paragem. Todos sentiam muita sede, mas não se via água em lado algum.
S. José, vendo uma pedra ali próximo, ordenou ao burro:
- Dá um coice na pedra.
O burro obedeceu, mas a pedra não tugiu.
S. José disse novamente ao burro:
- Dá um coice na pedra.
O burro deu novo coice, e a pedra gemeu.
S. José disse, mais uma vez, ao burro:
- Dá um coice na pedra.
E, ao terceiro coice do burro, a pedra chorou, e assim brotou uma nascente de água, com que todos mitigaram a sede.
A partir daí a Fonte passou a chamar-se Fonte da Pedra, e tem poderes curativos, como, por exemplo, tirar os “cravos” e verrugas das mãos.
Ainda lá estão as três marcas dos coices.
A primeira está seca – não tugiu
A segunda tem um pequeno fio de água – gemeu
A terceira é a nascente – chorou

A “lenda da fonte” termina aqui, mas a “história” continua com vários episódios, dos quais destaco um, que me parece de maior relevo:

…Tinha a Sagrada Família retomado a sua marcha quando chegaram a um terreno onde várias pessoas semeavam a terra. S. José perguntou:
- Que semeais aqui?
- Semeamos pão. (entenda-se por centeio)
- Pois voltai amanhã e pão colhereis.
E assim aconteceu. No dia seguinte as pessoas voltaram e encontraram o terreno repleto de centeio maduro, pronto para a ceifa.
Entretanto, o rei Herodes não se conformou com a fuga da Sagrada Família e mandou soldados no seu encalço. Estes seguiram o mesmo percurso da Fonte da Pedra até que chegaram ao local onde as pessoas ceifavam o centeio. Os soldados perguntaram às pessoas:
- Viram passar um homem a conduzir um burro, onde ia uma mulher com um menino ao colo?
- Vimos, sim senhor – responderam os ceifeiros. Passaram aqui quando estávamos a semear este terreno.
Ao ouvir isto, exclamaram os soldados:
- Ah! Estavam a semear? Então já passaram há muito tempo. Já não os conseguimos apanhar.
E voltaram para trás, desistindo da perseguição.
S. José, Nossa Senhora e o Menino Jesus estavam escondidos ali perto, atrás dum arbusto. Depois de verem que os soldados voltavam para trás continuaram o seu caminho descansados.


Origem da lenda: Alvoco da Serra, concelho de Seia! O seu a seu dono! :)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

PEDIDO DE DEMISSÃO

Hoje proponho-vos um texto para reflexão.

PEDIDO DE DEMISSÃO
Venho, através desta, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.

Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de 8 anos no máximo.
Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possivel.
Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim, e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo...
Quero de volta uma vida simples e sem complicações.

Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e
necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe!!!!!!!!!
Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigado a dizer adeus às pessoas queridas e, com elas, a uma parte da minha vida!
Quero ter a certeza de que DEUS está no céu, e de que por isso tudo está direitinho neste mundo...
Quero viajar ao redor do mundo, num barquinho de papel que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.
Quero achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida!
Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga, ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas.
Quero poder passar as tardes de verão numa bela praia, construindo castelos na areia e dividindo-os com meus amigos...
Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada...
Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a “Batatinha quando nasce...” e a “Ave Maria...”, e que isso não me incomodava nadinha porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.
Quero voltar ao tempo em que se era feliz simplesmente porque se vivia na bendita ignorância da existência de coisas que podiam nos preocupar ou aborrecer...
Quero poder acreditar no poder dos sorrisos, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Quero estar convencida de que tudo isso... vale muito mais do que o dinheiro!
A partir de hoje, isto é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

Demita-se, você também, dessa sua vida chata de adulto

NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ!

Texto de: Maria Clara Isoldi White

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

LENDA DO XÁ DE SAMARKANDA

Em tempos longínquos houve, em Samarkanda, um Xá, que ficou conhecido pela sua bondade e sentido de justiça.
Um dia, resolvendo viajar, saiu da sua cidade, à data capital do Turquestão, acompanhado do seu fiel criado.

Naqueles tempos as viagens eram demoradas e cansativas, por isso o Xá resolveu fazer uma paragem.
Depois de devidamente acomodados na estalagem, disse para o seu criado:
- Vai ao mercado e traz-me fruta fresca.

O criado obedeceu prontamente.
A caminho do mercado apareceu-lhe, de súbito, a Morte, com um ar lívido, disforme, uma boca enorme.
Olhou para o criado com um enorme ar de espanto estampado no rosto.

Aterrorizado, sem fala, o criado, sem pensar em cumprir as ordens de seu amo, retrocedeu de imediato.

Ao vê-lo naquele estado, e sem a fruta, o Xá perguntou o que acontecera, ao que ele respondeu:
- Vi a morte! E ela olhava-me duma maneira assustadora.
Preciso voltar hoje mesmo para Samarkanda, encontrar a minha família. Tens que me deixar sair daqui!
O Xá deixou-o partir, mas ficou a pensar:
– Porque é que a Morte fez isto?
Como desejava mesmo a fruta, pôs de parte os seus pergaminhos, - no fundo, ele era o Xá do Turquestão – e encaminhou-se para o mercado.

Encontrando a Morte, tal como o seu criado a descrevera, perguntou-lhe:
- O que é que o meu criado te fez, ou disse, para o assustares daquela maneira, que o fez fugir sem sequer me levar a fruta?
A Morte respondeu:
- Eu não lhe disse nada! Apenas me admirei de o ver aqui, esta manhã.
É que eu tinha um encontro marcado com ele para esta noite, em Samarkanda.
É para lá que vou já de seguida.

Esta é uma lenda que, a meu ver, transmite esta mensagem:
- NINGUÉM FOGE AO SEU DESTINO

SamarKanda é uma cidade do UZBEQUISTÃO,
ex-república soviética da Ásia Central.


No século VII Samarkanda tornou-se um ponto de escala na Rota da Seda. Aqui se encontravam algumas das principais etapas da Rota da Seda